A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe

Tempo de leitura: 4 minutos

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe pode ser uma das várias versões do famoso casal de pombas brancas amorosas que vemos ilustradas em pinturas, desenhos, cartão de namorados, cartão de casamentos… Simbolizando principalmente a união, a paz e a felicidade de um casal.

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe
Escultura em alto relevo de duas Colombas, 4, rue de la Colombe, Ilha de la Cité, Paris.

Em 1225, no número 4 rue de La Colombe, se instalou numa casa de barro e madeira, bem deteriorada, um escultor vindo da Bretanha, para trabalhar nas gárgulas da Catedral de Notre-Dame de Paris, situada bem próxima.

Rue de La Colombe com relação a Catedral de Notre-Dame. Google Maps.

Solteiro e sem filhos, o homem morava sozinho com um casal de pombas (colombas) aprisionadas! Mas, num dia de inverno, provavelmente após uma inundação do Sena, a casa desabou e a colomba fêmea ficou presa nos escombros.

O macho, várias vezes ao dia, vinha com sementes para alimentar sua companheira e trazia água do Sena usando um raminho de palha. Esse espetáculo emocionou os habitantes da ilha, que se uniram para tentar libertar a fêmea.

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe
Detalhe da Colomba na fachada. Foto: Mbzt.

Durante vários dias, os habitantes se revezam para limpar os escombros, a fim de libertar a fêmea. Quando finalmente conseguiram, os dois pássaros ao se verem juntos e livres voaram fazendo uma pequena dança no céu para agradecer aqueles que os salvaram.

A rua depois do ocorrido passou a ser chamada: “Rue de La Colombe”.

Histórico “Maison de La Colombe”

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe foi passada pela Idade Média de geração em geração. No século XVI, os recém-casados em lua-de-mel juravam lealdade e fidelidade nesta rua. Prática posteriormente banida por religiosos que consideravam um ato pagão e que iam contra os dogmas da Igreja católica.

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe
Placa comemorativa instalada em 2015. Foto: Wikemedia Commons.

Por volta de 1297 ou 1298 uma nova casa de dois andares foi construída no mesmo local, batizada “Maison de La Colombe”, como lembrança da lenda das duas pombinhas amorosas que viveram lá. Em 1769 foi transformada num pequeno edifício de 6 andares.

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe
Edifício da Colomba de 6 andares. Foto: Google.

Entre 1895 a 1953, a “Maison de La Colombe” foi um restaurante simples e popular, chamado “Bistrot Desmolières”, servindo principalmente sopa de carne para os trabalhadores em passagem e um lugar para poetas como Jacques Prévert, André Vers, Francis Carco, Mac Orlan, Maurice Fombeure, Jacques Yonnet, entre outros, que viam tomar um copo de vinho, jogar cartas e xadrez, secretamente, pois tinham medo de que o local tornasse moda como o “Café Deux Magot”, “Café de Flore”… E assim perdesse seu ambiente pitoresco e de paz.

Entre 1953 a 1955, o pintor e escritor austríaco naturalizado americano Ludwig Bemelmans (1898-1962) muito conhecido nos Estados Unidos por seus livros infantis, desenhos animados (principalmente os álbuns de “Madeline”) e pinturas foi o proprietário do ponto comercial, onde transformou o bistrô, agora chamado “La Colombe”, num local especial para receber amigos e uma clientela prestigiada como o duque e a duquesa de Windsor, entre outros.

Ludwig Bemelmans (1898-1962).

Foi Ludwig Bemelmans mesmo quem pintou e decorou as paredes da sala com afrescos divertidos e coloridos. Por causa de uma desilusão amorosa, e com pressa de voltar para o EUA, revendeu o ponto a um preço bem baixo do mercado.

Entre 1954 a 1964, “La Colombe” se tornou com os novos proprietários, o casal Michel Valette (1928-2016) e Beleine, um famoso cabaré musical para cantores, cantoras e comediantes franceses, ainda desconhecidos mas que procuravam se destacar no cenário artístico de Paris.

Por volta de 200 artistas que frequentaram regularmente a casa, muitos se tornaram bem famosos: Guy Béart, Pierre Perret, Jean Ferrat, Anne Sylvestre, Jean Ferrat, Georges Moustaki, Daniel Prévost, Marc Ogeret, Bernard Haller…

Devido a problemas fiscais, o “Cabaret La Colombe” encerrou suas atividades de casa de espetáculos para ser convertido entre 1964 a 1985, num famoso e reputado restaurante gastronômico.

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe
Rue de la Colombe em 1981, Restaurante “Cabaret La Colombe”.

Com a direção de Beleine Valette (esposa de Michel), o Restaurante “Cabaret La Colombe” chegou a receber entre 1983 e 1985, a nota máxima da gastronomia francesa, 3 estrelas do famoso Guia Michelin.

Em 1985, todo o edifício foi vendido a um investidor imobiliário, que assumiu o restaurante modificando por sua conta a decoração interior para um estilo mais moderno, consequentemente perdeu seu charme, as 3 estrelas, os clientes e finalmente os funcionários.

A lenda das duas pombinhas da rue de La Colombe
“La Réserve du Quasimodo”. Foto Instagram: greeparee22

O restaurante permaneceu desocupado alguns anos até ser comprado em 1995, por um comerciante de vinhos que mudou o nome para “La Réserve de Quasimodo”. Mudou a decoração interior voltando para um espaço mais simpático e mais aconchegante, mas em 2018, infelizmente fechou as portas por falência.

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Fonte: “À la Découverte de La Colombe-en-l’Île-de-la-Cité”, de Michel Valette.

3 Comentários


  1. Linda história Tom Pavesi, continuo agradecendo pela sua brilhante contribuição e principalmente, pela história comovente das duas pombinhas,

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  2. Complemento do primeiro artigo aceito com nosso agradecimento
    Muita pesquisa envolvida
    Obrigada

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