A saga da família Louis Vuitton

A saga da família Louis Vuitton

Tempo de leitura: 20 minutos

A saga da família Louis Vuitton é antes de tudo a história de uma marca.

Louis Vuitton nasceu em 1821 em uma pequena cidade do Jura (região a leste de Paris) de 150 habitantes. Filho de um carpinteiro, sempre foi muito habilidoso com as mãos e ferramentas, aos 16 anos, decidiu tentar a sorte em Paris. Sem dinheiro para o transporte caminhou 400 km até a capital, para morar com o primo, Laurent-Marie Vuitton.

A saga da família Louis Vuitton
Louis Vuitton (1821-1892). Foto: Autor desconhecido. © Arquivos Louis Vuitton.

Graças a sua determinação, o jovem Vuitton logo conseguiu trabalho como “layetier-emballeur-malletier”, no ateliê do Monsieur Maréchal. Trabalho que consistia empacotar pertences de ricos clientes que partiam em viagens.

Em 1852, aos 31 anos, sua técnica, seu rigor e comprometimento subiu logo de cargo ficando encarregado dos clientes mais importantes da empresa, como por exemplo, embalador particular dos pertences da imperatriz da França, Eugénia de Montijo (1826-1920), esposa de Napoleão III (1852-1870) no Palácio das Tulherias.

Árvore Genealógica Louis Vuitton.

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A saga da família Louis Vuitton
Árvore elaborada pelo site: Geneanet.

Início do sucesso.

Durante muito tempo Louis Vuitton vinha observando as mudanças comportamentais do mercado do turismo e viagens. Testemunhando o desenvolvimento crescente dos transportes (locomotivas e barcos a vapor) e de seus usuários, onde pessoas da alta classe viajavam cada vez e com mais frequência.

Notou principalmente que seus modelos de embalagens não correspondiam mais essa sede de novidades e de descobertas.

Após se casar em 1854, com a rica Clémence-Émilie Parriaux (1836-1882), Louis Vuitton, abriu sua própria empresa, “Louis Vuitton Malletier”, e sua primeira loja num prestigioso endereço de Paris, bem próxima a Praça Vendôme, no 4 rue Neuve-des-Capucines, atual rue de Capucines, no 2° arrondissement (distrito).

Em 1858, Louis Vuitton mais experiente e respeitado, consciente que tinha que acompanhar as necessidades que exigiam essa nova clientela viajante teve a brilhante ideia de criar malas de viagens combinando funcionalidade, luxo e inovação.

Mala Louis Vuitton 1858, cinza Trianon. © Arquivos Louis Vuitton.

Os antigos modelos de baús curvos foram substituídos por baús planos e malas de todos os tamanhos, facilmente empilháveis e que ocupavam menos espaço seja qual for o compartimento do transporte da época.

Forrados com um tecido cinza Trianon de alta qualidade, onde eram colados por um processo que os tornavam rigorosamente impermeáveis. O interior feito com armações metálicas, divididas em pequenas bolsas para transporte de vidros e objetos frágeis.

Esses baús e malas foram a origem das atuais bagagens de viagens que revolucionaram a indústria manufatureira, e tornaram-se moda por toda Europa e fortaleceu o sucesso internacional da empresa.

Em 1859, com o sucesso dos seus artigos de luxo, transferiu sua oficina para cidade de Asnières-sur Seine, as margens do rio Sena, para aproveitar o transporte fluvial para os seus produtos.

Baú Louis Vuitton (1867), 1 rue Scribe, Paris. Foto: © Arquivos Louis Vuitton.

E para ficar junto aos seus 20 empregados, mandou construir em 1860, bem ao lado do ateliê, uma grande casa no estilo Art Nouveau, onde se encontra hoje o atual Museu Louis Vuitton (ver detalhes no final do artigo).

Quando sua loja da rua Neuve-des-Capucines, se tornou muito pequena, abriu em 1871, sua segunda loja num local bem estratégico de Paris, no 1 Rue Scribe, em frente ao atual “Intercontinental Paris Le Grand”, próximo a estação Gare Saint-Lazare e um vizinho importante, a futura Ópera Garnier que seria inaugurada em 1875.

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Segunda loja Louis Vuitton em Paris: 1 rue Scribe, 75009. © Arquivos Louis Vuitton.

Em pouco tempo, tornou-se fornecedor de malas e baús para as pessoas mais ricas, influentes e importantes do século XIX, como: o rei da Espanha, Alfonso XII (1874-1885), tzar Russo, Nicolau II (1868-1918), o vice-rei do Egito, Ismail Pacha (1831-1895), responsável pelo abertura do canal de Suez em 1864, o desbravador francês, Pierre Savorgnan de Brazza (1852-1905) fundador da cidade de Brazzaville, atual capital do Congo.

Malas e baús de vários os formatos e funções.

Além de marajás, sultões e reis do Oriente, todos esses personagens se tornaram parte da vitrine prestigiosa da Maison Louis Vuitton.

A qualidade dos materiais, os arranjos interiores e os acabamentos tornaram as malas e baús de Louis Vuitton muito superior a qualquer outro concorrente.

Sucesso Internacional.

Em 1870, Georges Vuitton (1857-1936), filho de Louis, movido pela mesma paixão ingressou na empresa familiar.

Georges Vuitton (1857-1936). © Arquivos Louis Vuitton.

Em 1885, com a ajuda de Georges, a marca LV começou a se expandir no exterior. A primeira boutique fora da França estava localizada na Oxford Street em Londres e, apesar de alguns começos difíceis, desenvolveu-se com grande sucesso.

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Louis Vuitton, filho Georges, neto Gaston (deitado sobre uma mala-cama) e equipe de trabalhadores e artesões do ateliê em Asnières-sur-Seine
© Arquivos Louis Vuitton.

Posteriormente, foram abertas outras lojas em Nova York e Filadélfia, no EUA.

Segurança, marca e logos Louis Vuitton.

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Modelos de malas. Foto: © Collection Louis Vuitton / Antoine Jarrier.

Em 1886, Georges registrou a patente de um sistema revolucionário de fechadura para a proteção das malas dos seus ricos clientes, que vinha reclamando de roubos dos pertences roubados nos compartimentos de trens e de embarcações.

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Fechadura com 5 travas. Sistema patenteado por Georges Vuitton.

Um sistema tão bem bolado, de 5 fases, que nem o famoso mágico Harry Houdini (1874-1926) aceitou desafio de sair de uma caixa fechada com essa fechadura. Por sua segurança e eficácia, ainda é hoje usado pela Maison LV.

Devido a essa expansão internacional, outros problemas surgiram para empresa, as falsificações das malas e dos baús.

Em 1888, Georges Vuitton pensando em proteger a marca contra essas primeiras falsificações, mandou imprimir no novo modelo de tecido bege e marrom em forma de tabuleiro de jogo de damas (damier), o texto: “Marque L. Vuitton déposée”, (Marca L. Vuitton registrada). Texto e tecido, que ainda hoje são um dos maiores sucessos da casa.

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Tecido damier e texto, marca registrada em 1888.

O modelo de mala (baú) com tecido xadrez (damier), ganhou a medalha de ouro na Exposição Universal de 1889.

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Modelo damier, medalha de ouro na Exposição Universal de 1889.

Em 1896, quatro anos após o falecimento de seu pai Louis Vuitton, num forma de homenagem póstuma, Georges criou e patenteou o famoso monograma com 4 motivos , sendo três com dimensões idênticas.

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Registro da patente do monograma LV (1896), por Georges Vuitton.

A letras L e V entrelaçadas, um círculo com uma flor quadrifólio no centro, estrela de 4 pontas e um losango convexo com 4 (lados em arcos), com estrela de quatro pontas em negativo, no centro.

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Logos Louis Vuitton (1896), criados por Georges Vuitton.

A influência e a inspiração para esses padrões geométricos permanecem misteriosas, talvez uma síntese de várias correntes artísticos do final do século XIX: O Japonismo e o movimento neogótico. Logos simplificados mas altamente elegantes e moderno, hoje praticamente indissociável a marca.

1° Edifício no Champs-Élysées.

Georges acompanhou com muito talento e criatividade o mercado de turismo em plena transformações industriais e de locomoção como o desenvolvimento das ferrovias, trens, transatlânticos, automóveis, aviões…

Sempre pensando na expansão e fortalecimento da empresa, comprou um terreno em 1912, no endereço mais emblemático do comércio de luxo da época, nos atuais n° 70-72 da avenida dos Champs-Élysées , para ser construído o 1° edifício da marca LV.

Projeto dos arquitetos Louis Bigaux et Koller no estilo Art déco, foi inaugurado em 1914, onde a loja e a parte administrativa permaneceram até 1954.

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Edifício Louis Vuitton, atual Hotel Marriott: 70 avenue des Champs Élysées.

Atualmente no local, se encontra o Hotel Marriott e no térreo, onde estava a loja Louis Vuitton, está ocupada pela loja de perfumes e cosméticos, Sephora (também do grupo LVMH Louis Vuitton Moët Hennessy).

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Edifício Louis Vuitton atual Hotel Marriott: 70-72 av. des Champs Élysées, Paris.

Desde 1992, a fachada está inscrita na lista dos Monumentos Históricos de Paris.

Nesse mesmo ano de 1914, trabalhavam no ateliê de Asnières-sur-Seine, por volta de 225 empregados entre designers, costureiras e funcionários administrativos para atender a crescente demanda.

Georges Vuitton continuou inovando e criando muitas publicidades até 1936, ano de deu falecimento.

Herdeiros:

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Georges Vuitton com esposa Josephine Patrelle e filhos: Gaston-Louis e os gêmeos
Pierre Vuitton e Jean Vuitton. Foto autor desconhecido por volta de 1900.
© Arquivos Louis Vuitton.

Gaston-Louis Vuitton (1883-1970).

Nos anos seguintes ao falecimento de Georges Vuitton em 1936, seu filho Gaston-Louis Vuitton (1883-1970), foi quem assumiu a presidência da empresa.

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Gaston-Louis Vuitton (1883-1970). © Arquivos Louis Vuitton.

Gaston-Louis era o mais velho e o mais empenhado com os negócios da família, enquanto que seus dois outros irmãos gêmeos, Jean Vuitton (?-1909) e Pierre Vuitton (?-1962) estavam mais interessados em projetos particulares como na construção de helicópteros, aviões e carros.

Jean, morreu por uma doença grave fulminante em 1909, um pouco antes de ver o protótipo do helicóptero Vuitton-Hubert ser finalizado e participar no mesmo ano, no Salão Aeronáutico do Bourget (aeroporto próximo de Paris).

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Jean Vuitton no protótipo de helicóptero “Vuitton-Hubert”, em 1908 e finalizado em 1909. © Arquivos Louis Vuitton.

Pierre Vuitton (1880-1962), tem uma história de vida com duas versões. Na primeira versão (que parece ser a melhor para a família) foi convocado para participar da Primeira Guerra Mundial e morreu em combate em 28 septembre 1917. Versão que muitos historiadores contestam.

A segunda versão que parece ser um segredo de família, e a mais verídica; após ser sido ferido gravemente na Primeira Guerra, voltou para Paris em 1920, com sérios distúrbios psicológicos e físicos. Viciado em morfina e álcool preferiu abandonar suas riquezas e a família, para viver sozinho como pintor de quadros. Entre alucinações e realidade passou grande parte de sua vida em hospitais psiquiátricos e asilos até falecer em 1962.

Dizem ter conhecido vários artistas da boêmia parisiense como: Jean Dubuffet (1901-1985), Jean Cocteau (1889-1963), Picasso (1881-1973), Pablo de Chirico (1888-1978) e Francis Picabia (1879-1953).

Muitas de suas obras (não datadas) são pinturas que traduzem tormentos traumáticos e psicológicos. Classificadas como pinturas clássicas da Arte Bruta na maioria pintada sobre papel jornal ou sobre páginas de livros. Em vida, poucas obras foram vendidas (ou nenhuma).

Quanto ao Gaston-Louis, desde 1907, sempre esteve na frente dos negócios do pai. Homem de muito humor, apesar de uma saúde delicada (que foi bom por uma lado, pois sua bronquite deixou-o fora da 1° Guerra). Tinha diversos interesses que foram fundamentais para dar a continuidade e o sucesso da marca, após o falecimento do seu pai, em 19636.

Amante de viagens, arquitetura, jardinagem, colecionador refinado, de baús, livros, adesivos e etiquetas de hotéis do mundo (mais de 3.000). Seu olhar artístico permitiu criar cenários impressionantes para as vitrines das várias lojas Louis Vuitton espalhadas pelo mundo.

Tinha uma frase interessante que resumia seu espírito viajante:

Montre-moi tes bagages et je te dirai qui tu es.

Tradução livre:

Mostre-me suas bagagens e direi quem você é.”

Gaston-Louis Vuitton.

Foi Gaston quem introduziu em 1914 novos produtos no catálogo de vendas como: artigos em couro (bolsas, carteiras), ourives e artigos de viagens. Com aumento da produção, aproveitou para reformar todo o ateliê de Asnières.

Mala Louis Vuitton em 1930, revestido em tecido. Foto: © Arquivos Louis Vuitton.

Com o tempo esses novos produtos de luxo e de alta qualidade, se tornarem verdadeiras obras de arte.

Durante a ocupação dos nazistas na França (1940-1945), a produção de artigos foram reduzidos, os contratos no exterior foram rescindidos muitas lojas foram fechadas. Gaston e esposa foram cuidar da loja em Nice e deixou seu primogênito, Henri-Louis, cuidar da loja do Champs-Élysées. Para isso teve que se aliar comercialmente com as autoridades alemãs para não perder a marca.

No período pós-guerra, são os três dos filhos de Gaston que desempenharam papéis importantes para reconstrução dos negócios, nas operações e no reabastecimento das lojas que foram reabertas: Henri-Louis Vuitton (1911-1970) na gestão comercial, Jacques-Louis Vuitton, na administração financeira e Claude-Louis Vuitton, na gestão da fábrica.

A primeira encomenda importante na empresa foi para o Presidente da República, Vincent Auriol (1947-1954) que ao levar as bagagens Vuitton numa visita oficial aos Estados Unidos, relançou a marca no EUA.

Em 1959, Henri-Louis Vuitton apresentou ao seu pai Gaston, um produto revolucionário que ao ser aplicado sobre linho, algodão e PVC, mantém a flexibilidade e resistência do material.

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Gaston-Louis Vuitton (1883-1970) e o novo material flexível e impermeável.
© Arquivos Louis Vuitton.

Após aprovação, Henry-Louis criou entre 25 e 30 modelos por ano, com sua equipe de designers, malas, bolsas e carteiras que se tornaram ícones da Maison LV. Sucesso tão impactante, que alguns desses modelos continuam sendo produzidos e vendidos até hoje.

Gaston-Louis Vuitton apesar da sua frágil saúde, somente veio a falecer em 17 de março de 1970, aos 87 anos. Ficou conhecido como: “O Colecionador de Objetos” e pelo seu amor a arte refinada, influenciando diretamente a marca Louis Vuitton.

Henri-Louis Vuitton (1911-2002).

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Odile Vuitton Racamier e seu irmão, Henri-Louis Vuitton rodeados pelo bustos em bronze de Gaston-Louis Vuitton (à esquerda), Georges Vuitton (à direita) e uma ao centro do bisavó, Louis Vuitton.

Com a morte do pai Gaston-Louis, em 1970, Henri-Louis assumiu a Presidência do Conselho Fiscal, juntamente com os seus cunhados Henry Racamier, marido de Odile Vuitton (1917-2019) e Jean Ogliastro, marido de Denyse Vuitton (1912- ?).

Entre 1945 e 1975 graças ao seu trabalho como Diretor Comercial, mais a novidade que trouxe do tecido flexível resistente (vimos no alto), a empresa se restabeleceu gerando lucros e benefícios a todos membros da grande família e aos seus descendentes.

Claro que teve apoio e ajuda de seus 2 irmãos, Claude-Louise e Jacques-Louis, e de suas 3 irmãs, Andrée, Denyse e Odile. Sua irmã mais nova, Thérèse Noel, faleceu quando era muito jovem.

Em 1977, Henri-Louis pediu sua aposentadoria, ficando somente como Presidente do Conselho de Administração ao lado de seus cunhados Henry Racamier (marido de sua irmã Odile) e Jean Ogliastro (marido da sua irmã, Denyse).

Foi condecorado:

  • Oficial da Ordem Nacional do Mérito.
  • Cavaleiro da Estrela Negra do Benin.
  • Cavaleiro da Estrela de Anjouan.

E teve as seguintes distinções:

  • Medalha de Guerra Comemorativa de 39-45.
  • Medalha de Bronze para Educação Física.
  • Grande Medalha de Ouro pelo Trabalho.
  • Medalha de Vermeil da “Ville de Paris”.

Henry-Louis Vuitton, faleceu em 30 de agosto de 2002, aos 91 anos.

Henry Racamier (1912-2003) e Odile Vuitton (1917-2019).

Administrando a “Maison” na década de 1970, a bisneta do fundador, Odile Vuitton (1917-2019) e seu marido e empresário Henry Racamier (1912-2003) foram que seguiram na cabeça da empresa.

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Henry Racamier, PDG da Maison Louis Vuitton (1987). Foto: Frederik Reglain.

Henry Racamier empresário bem sucedido no ramo do aço, em 1977, ao vender sua empresa Stinox ao grupo alemão, Thyssen. Por sua experiência em administração e comércio, foi escolhido pelos acionários e membros da família Vuitton, como o novo Presidente Directeur Geral (PDG) da empresa.

Na época, a Maison Louis Vuitton empregava somente 70 pessoas, tinha somente duas lojas e a renda bruta não passava de 10 milhões de euros por ano.

Henry Racamier como um verdadeiro gênio do comércio, em apenas dez anos, abriu mais de cem lojas, em particular no Japão e nos Estados Unidos, resultando 20 anos depois, um faturamento de 690 milhões de euros, quase 70 vezes mais do que quando chegou.

Em junho de 1987, a Holding Louis Vuitton S.A., líder do mercado em bagagens de luxo, já proprietários das marcas: Louis Vuitton e da casa de champanhe, Veuve Clicquot Ponsardin, fundiu-se com rei dos champanhes e conhaques, a casa Moët-Hennessy, dando início ao grupo L.V.M.H. (Louis Vuitton Moët-Hennessy).

Um novo grupo na Bolsa de Valores, mas logo fragilizada em outubro de 1987, com quebra das Bolsas do mundo todo.

Momento ideal para uma outro grande empresário “tubarão” entrar em cena: Bernard Arnault.

Henry Racamier faleceu em 29 de março de 2003, contrariado em perder o contrôle da empresa.

Bernard Arnault (1912-2003).

Financista discreto e elegante, Presidente majoritário do grupo Boussac e da Holding Cristian Dior S.A. foi aos poucos comprando ações da Holding LVMH, onde acabou tendo uma ascensão fulgurante no topo da administração do grupo.

Bernard Arnault, Presidente Diretor Geral (PDG) atual do grupo LVMH. Foto: J. Barande.

Em 1988, ano das instabilidades das Bolsas de Valores, Bernard Arnault se aproveitou dos desentendimento entre os dois Co-Présidentes, Henri Racamier, PDG da Louis Vuitton e Alain Chevalier (1931-2018), PDG das empresas Moët & Chandon e Hennessy, divergiam quanto as estratégicas a adotraem para o desenvolvimento do grupo LVMH.

Alain Chevalier queria revender para outros grupos as atividades da Hennessy (vinhos e destilados), enquanto Henri Racamier, (que havia se tornado minoritário no novo grupo LVMH), procurava uma solução reconquistar a independência da Louis Vuitton.

Nesse contexto de incertitudes, Bernard Arnault se aproveitou para se tornar o sócio majoritário do grupo, com 42% das ações.

Em 13 de janeiro de 1989, foi eleito por unanimidade Presidente Diretor Geral (PDG) do grupo LVMH.

Henri Racamier ainda que tentou uma anulação nos tribunais, mas como nenhuma irregularidade havia sido cometida, Bernard Arnault foi confirmado como gestor acionista. Além de administrar todas as operações, é ao mesmo tempo, o principal acionista.

Uma mudança de direção, que apesar de ter sido contestada pela família Vuitton, com Barnard Arnault comandando as estratégias do grupo, o valor da holding LVMH, aumentou quinze vezes nas Bolsas, enquanto o faturamento e o lucro aumentaram mais de 500%.

Segundo revista Forbes, em 2020, Bernard Arnault foi considerado o terceiro homem mais rico do mundo, com ativos avaliados em 76 bilhões de dólares.

Casa-Museu e Ateliê de Louis Vuitton em Asnières-sur-Seine.

A casa Louis Vuitton construída em 1860 no estilo Art Nouveau, em Asnières-sur-Seine onde viveu a família até 1954, transformada em museu em 2005 está aberta para visitação pública.

Atualmente se encontra a exposição: “Time Capsule” (Cápsula do Tempo) apresentando coleções excepcionais de peças emblemáticas contemporâneas e futuras da marca Louis Vuitton.

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Maison -Museu Louis Vuitton. Foto: © Arquivos Louis Vuitton.
Maison -Museu Louis Vuitton. Foto: © Arquivos Louis Vuitton.

Uma viagem através do tempo realizado pela curadora e professora de moda Judith Clark.

O Ateliê (ou Oficina) de Asnière-sur-Seine construído com materiais leves, como o ferro e o vidro (estilo Eiffel) ainda existe e trabalham cerca 180 funcionários com encomendas especiais, modelos raros e exóticos.

A saga da família Louis Vuitton
Maison e Ateliê Louis Vuitton. Foto: © Arquivos Louis Vuitton.

Endereço: 18 Rue Louis Vuitton, 92600 Asnières-sur-Seine.

Patrick Louis Vuitton (1951-2019), filho de Claude Louis Vuitton, diretor das encomendas especiais do Ateliê, faleceu em 5 de novembro de 2019.

Louis Vuitton no Champs-Élysées.

Edifício construído em 1931, pelo arquiteto francês Charles-Henri Besnard (1881-1946) no estilo Art déco, como sede da “Maison de France”.

Fachada da “Maison de la France”, em 1932.
101, avenue des Champs-Elyséss, Paris.
Atual loja Louis Vuitton, em Paris.

Em 1995, o edifício foi comprado pela empresa de investimentos imobiliários GENICA que o alugou em 1998 para ser explorada pelo grupo LVMH, com escritórios comercias e administrativos e a loja Louis Vuitton.

Edifício Louis Vuitton. 101, avenue des Champs-Élysées.

Reaberta em 2005, totalmente restaurada tanto externamente como internamente pelo estúdio de Arquitetura Carbondale, dos arquitetos Eric Carlson e Peter Marino.

O edifício que se encontra na esquina de duas importantes avenidas: George V e dos Champs-Elysées, se beneficia de uma localização excepcional, próximo ao Arco do Triunfo e de vários outros comércios e marcas de luxo.

Listado como monumento histórico, neste edifício se encontra a maior loja Louis Vuitton do mundo.

Datas importantes:

1997 : A Maison Louis Vuitton entra no mundo da moda oferecendo sua 1° linha de prêt-à-porter e caçados, com a contratação como diretor artistico, o estilista americano, Marc Jacobs.

2000 : Abertura da 1° loja no continente africado, em Marrakesh (Marrocos).

2003 : Abertura da 1° loja Louis Vuitton em Moscou (Rússia) e em Nova Deli (Índia).

2004 : Abertura da 1° loja Louis Vuitton, na Cidade do Cabo (África do Sul).

2010 : Exposição: “Voyage en Capitale. Louis Vuitton et Paris“, do 13 de outubro de 2010 ao 27 de fevereiro de 2011, no Museu Carnavalet, em Paris.

Exposição: “Voyage en Capitale. Louis Vuitton et Paris” (2010-2011).
Foto: © Jacques-Henri Lartigue (1978) / Ministère de la Culture.

2014 : Inauguração em 27 de outubro da Fundação Louis Vuitton, consagrado a arte contemporânea. Projeto do arquiteto canadense-americano Frank Gehry, realizado pelo grupo LVMH.

Fundação Louis Vuitton (2014), no Jardim de Aclimatação (Bois de Bologne), Paris.
Foto. Wikipédia Commons.

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Foto da capa: @ Arquivos Louis Vuitton

14 Comentários


  1. Visitei a Fundação Louis Vuitton, no Jardim de Aclimatação (Bois de Bologne), na minha última viagem a Paris, no outono de 2019. Indescritível… Adorei teu artigo, parabéns!

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  2. Adorei o artigo. Sempre passo pela loja na esquina da Av George V. A partir de agora vou olhar mais detalhadamente a loja da Sephora e fachada do hotel. Obrigada

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  3. Adorei saber a historia da familia e da marca LV. Muitos detalhes que me fizeram ficar com vontade de voltar para fazer essa viagem no tempo, que fiz lendo seu texto.
    Obrigada Tom, mais um conhecimento delicioso!

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  4. Muito grata pelo envio do texto . Sempre muito interessante . Viajo no tempo com suas histórias e imagens que compõem a memória e a cultura francesa . A tradição familiar que marca o sucesso da marca LVMH. Quantos acontecimentos envolvidos no estilo e elegância de seus produtos!!Grata, novamente , e até a próxima história .

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  5. Obrigada pelo artigo. muito interessante. Conheço a maravilhosa Fundaçao e a loja da Champs Elisée e Já registrei para a próxima viagem uma vista à Casa-Museu e Ateliê de Louis Vuitton em Asnières-sur-Seine.

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  6. Parabéns pela Excelente pesquisa! Quando voltar a Paris vou conhecer a Fundação 👏👏👏👏👏

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    1. Obrigado duplamente Ina! Pela indicação dos livros e pelo comentário!
      Quando vier a Paris me avise, ok?
      Abraços!

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  7. Adorei o artigo, completíssimo e bem explicado.
    Já esperando o próximo.

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  8. Que delicia de artigo. Comecei a ler e não queria que acabasse mais..k kk
    Parabéns Tom Pavesi! Me fez viajar no tempo e no conhecimento!!!

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    1. Obrigado amigo!
      Você que é um especialista em estratégicas empresarias sabe o quanto é trabalhoso chegar no topo do sucesso entre milhares de concorrentes. Realmente esse artigo é uma verdadeira viagem no tempo.
      Abraços!

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