Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza

Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza

Tempo de leitura: 8 minutos

Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza

Creme do dia por Diana de Poitiers:

Para se ter uma pele branca e lisa, faça um mistura com suco de pepino, melão, planta aquática nenúfar, flor-de-lis, feijão. Misture tudo adicionando carne moída de pomba. Colocar manteiga, açúcar em pó, seiva de cânfora e miolos de pão branco. Em seguida adicionar vinho branco. Deixar repousar por algum tempo. Destilar o excesso de líquidos até obter um creme untuoso. Depois do banho frio, espalhe o creme pelo corpo e rosto.

Diane de Poitiers (1499/1500 – 1566) conseguiu fazer da sua vida um modelo para o século XVI. Modelo de virtude, luxo, elegância, refinamentos e de uma historia amorosa tão intrigante com o rei Henrique II, que ainda encontramos traços espalhados desta paixão por toda França atual.

Quando criança recebeu uma educação de boas maneiras, quando adolescente se destacou como sendo uma das mulheres mais interessante e cortejadas da corte francesa. Modelo de virtude e elegância.

Diane de Poitiers casou-se aos 15 anos de idade, com o vice-rei da Normandia, Louis de Brezè, (1456-1531), de 56 anos.

Um beijo, e o despertar de uma grande amor

Francisco I° (1515-1547) já viúvo da rainha Cláudia de França (1499 – 1524) preso por quase um ano, pelos espanhóis, aceitou um acordo com imperador Romano-Germânico Carlos V (1500-1558) para sua libertação. Deveria entregar a região da Borgonha, a Província e terras conquistadas pela França, na Itália. Como garantia de pagamento ao Imperador, seus dois filhos, Francisco de França, (1518-1536) de 8 anos e Henrique de Orleães, (1519-1559) de 7 anos (futuro rei Henrique II) serviriam de reféns ate o cumprimento deste acordo.

Em 1526, no dia da entrega das crianças, as principais damas da corte foram convidadas a viajaram até Bayonne, para acompanhar e consolar as crianças que até então não entendiam nada do que estava acontecendo.

Francisco I° que sempre teve uma preferência pelo mais velho, não deu muita atenção ao segundo filho que se sentiu rejeitado e abandonado por todos. Apenas uma dama da corte, Diane de Poitiers, percebendo seu desamparo e angústia deu-lhe um forte abraço e um beijo bem carinhoso na sua testa, transmitindo força e coragem para enfrentar os dias de cativeiro.

A homenagem de um jovem combatente a sua amada.

O rei Francisco I°, livre, e não cumprindo o prometido ao imperador Carlos V deixou seus filhos presos até novas negociações. Os anos foram se passando, e Henrique de Orleães, não parava de sonhar na prisão com aquela bela dama da corte, e seu beijo mágico inesquecível nunca mais apagado de sua memória e do seu coração.

Francisco I° acabou pagando em moedas de ouro o resgate dos filhos, e ainda teve que se casar com a irmã do imperador espanhol, Carlos V, Eléonore de Habsbourg, em troca de uma frágil paz. Comemorando, portanto esta liberação em julho de 1530, organizou-se uma grande festa e um torneio conhecido como “justas”. Como era de costume os cavaleiros combatiam em homenagem a uma dama da platéia.

O filho mais velho, Francisco de França, agora com 12 anos, querendo agradar o pai escolheu combater em honra da amante do Rei, a duquesa de Etampes, quanto o outro irmão, Henrique de Orleães, 11 anos, que todos pensavam que iria escolher a nova rainha Eléonore, surpreendentemente escolheu a tão sonhada e querida, Diana de Poitiers.

Uma viúva livre para amar novamente.

Em 1531, a jovem, Diana de Poitiers, bela, rica, respeitada, honrada de uma fidelidade irrepreensível, exemplo de dignidade e elegância, aclamada em todas as cortes da Europa como uns dos símbolos de beleza do renascimento, com a morte de seu marido, Louis de Brézé, ficou livre para ser novamente adulada e cobiçada por vários pretendentes da nobreza.

Mas Diane de Poitiers, sabendo do prestígio que sua beleza exercia sobre os homens manipulava at tirar algum privilégio ou um benefício financeiro. Ambiciosa, calculadora, e bem decidida a não se casar novamente, aos poucos foi construindo um personagem que seduziria a todos, a “mulher fatal” do século 16.

Como uma boa atriz representando, usava o branco e o preto, símbolo da viuvez. Com a morte misteriosa, em 1536 do 1° herdeiro do trono, Francisco de França surge a grande oportunidade de conquistar o coração do jovem Henrique de Orleães, 17 anos, que todos sabiam tinha uma paixão não mais secreta por ela.

Mas Henrique a mando do seu pai, o rei Francisco I°, já havia se casado em 1533, com Catarina de Médici (1519-1589) sobrinha do papa Leão X (1475-1521).

A rival Caterina de Médici

Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza
Caterina de Médici

Casamento sem afinidades, sem amor, puramente por razões políticas entre a França e a igreja Papal. A doce amarga, italiana Catarina de Médici, nada bela, mas muito inteligente, falava bem o francês, impressionava seus contemporâneos pelos inúmeros conhecimentos na matemática, física, ciências naturais e a astronomia.

Henrique era totalmente indiferente a ela, tinha somente os olhos, o espírito e o coração absorvido pela sua dama, Diane de Poitiers.

Henrique finalmente assume sua relação com Diana

Esse amor que Henrique achava impossível acabou virando realidade. Diane enfim se entregou ao sedutor adolescente, 20 anos mais novo.

Ela procurando esconder a idade, 37 anos, usava de todos os meios para guardar sua graça, beleza, juventude e sensualidade: banhos gelados, exercícios físicos ao ar livre, dieta espartana, nenhuma maquiagem nocivas para pele, somente um creme a base de carne moída de pomba (receita no alto da página), e um segredo: um copo de água misturado com ouro.

Recursos misteriosos para conservar a boa forma e uma beleza escultural.

“Ménage à trois” na corte do rei Henrique II

Em 1544, depois de nove anos de casada, Catarina de Médici consegue ter um filho e Diane é a primeira pessoa que a felicita.

Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza
Henrique II, rei da França 1515-1559.

Em 1547, Francisco I°, morre e Henrique de Orleães, com 28 anos, sobe ao trono, conhecido como, Henrique II, rei da França.

E Diana de Poitiers está com 48 anos. Eles se amam há mais de 10 anos. Apesar do tempo passar Diane continua mais bela do que nunca.

Com Diane de Poitiers, ele transformará este amor em algo misterioso, mitológico e sagrado.

Com Catarina de Médici, ele a usa para suas obrigações divinas e soberanas deixando assim um máximo de herdeiros que futuramente darão continuidade a sua política de reformas do Estado, uma França poderosa e temida pelos inimigos.

Diana, uma amor representado pela mitologia romana

Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza
Emblema de Henrique II e Diana de Poitiers. Fachada Louvre.

O rei Henrique II também adotou o preto e o branco da viuvez de Diane e o monogramo com a letra H e dois D’s entrelaçados, nos vestuários, paredes, em revestimentos do solo, e nas principais fachadas dos palácios reais da França.

Um monograma ainda visto até hoje, em várias partes do Museu Louvre, e em esculturas no em baixos relevos no teto, da sua amada como, Diana a caçadora, da mitologia romana, e seus atributos, como o arco, a lua crescente, cachorros de caça, a gazela.

A vingança da Catarina e o fim de Diana.

Em 1559, Henrique II comemorando o casamento da sua 1° filha, morreu acidentalmente perto da atual Praça de Vosges, em Paris, e Catarina de Médici, (40 anos) enfim poderá se vingar daquela que a humilhou e a fez sofrer durante 23 anos, sua rival, Diane de Poitiers, (60 anos, e uma insolente beleza).

Diane de Poitiers e sua fórmula secreta da beleza
Castelo de Chenonceau, Vale do Loire.

Diane por ordens de Catarina de Médici foi obrigada a restituir presentes, jóias da coroa, e o mais belo presente dado em vida pelo rei Henrique II, o Castelo de Chenonceau, no Vale do Loire.

Recebeu em troca o castelo de Chaumont-sur-Loire, mas que não gostava, e visto que perdeu tudo, preferiu terminar sua vida no Castelo d’Anet, herança do marido, Louis de Brezè.

Continuou a beber do “elixir da beleza eterna” até morrer intoxicada pelo pó de ouro que bebia diariamente, aos 66 anos, linda e ternamente jovem.

Uma autópsia realizada em 2008 nos restos mortais foi encontrado nas mechas dos cabelos de Diana, uma taxa de ouro 250 vezes mais que o normal.

Vai viajar e precisa de dicas sobre Paris? Clique aqui.

Quer saber como viajar barato pela França? Clique aqui.

Quer participar no nosso grupo de Segredos de ParisClique aqui.

4 Comentários


  1. Conheci Chenonceau e soube um pouco dessa história, mas a sua foi bemmais detalhada. Meus parabéns!!!

    Responder

  2. Tom. Eu já havia lido sobre isso mas é sempre bom ler novamente. Muito interessante essa historia.

    Responder

  3. Ja conhecia parte dessa história..mas a receita do “creme de beleza” é surreal!! 😃
    Parabéns pelo texto.

    Responder

  4. E LOGICO QUE GOSTEI……adoro suas materias Tom ….boa sorte sempre
    Neusa marques

    Responder

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *