História da Place Vendôme a 4° Praça Real

História da Place Vendôme a 4° Praça Real

Tempo de leitura: 9 minutos

História da Place Vendôme a 4° Praça Real de Paris localizada no 1° distrito é um modelo típico do urbanismo clássico francês, simetria, elegância, lindamente bela e instigante. Construída em forma quadrada, e chinfrada nos cantos, considerada uma das mais luxuosas do mundo.

História da Place Vendôme a 4° Praça Real
Praça Vendôme, Paris (75001).

O marquês de Louvois, François Michel Le Tellier (1641-1691), em 1685 decidiu como superintendente dos edifícios de Paris de construir uma grande praça em forma de retângulo para servir como um quadro ideal para homenagear o rei Luís XIV dessa vez montado num cavalo, (diferenciando da outra estátua em pé do rei, que havia sido inaugurada em 1686, na Place des Victoires), e um conjunto de edifícios públicos como: Biblioteca real, Casa da Moeda, academias de Artes e Letras, Casa dos Embaixadores..

Desde de 1677, já existia um projeto por um grupo de investidores de se construir numa área que se encontrava o Palacete Vendôme (ou Hôtel de Vendôme) pertencente aos descendentes de César de Vendôme (1594-1665), filho bastardo do rei Henrique IV (1589-1610) e meio irmão de Luís XIII (1610-1643).

História da Place Vendôme a 4° Praça Real
Place Louis-le-Grand, futura Praça Vendôme. Paris.

O projeto dos edifícios ficou a cargo dos arquitetos; Jules Hardouim-Mansart (1646-1708) e Germain Boffrand (1667-1754), enquanto que a estátua equestre do rei Luís XIV ficou para o escultor François Girardon (1628-1715).

Place Louis-le-Grand

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Estátua equestre de Luís XIV (1699), de Girardon. Place Louis-Le-Grand. (Vendôme).

Em 1699, a estátua equestre foi inaugurada de forma cinematográfica, com a instalação bem no centro da nova praça batizada: “Place Louis-Le-Grand”, (futura Praça Vendôme).

Uma inauguração que podemos chamar também como teatral, pois somente as fachadas dos edifícios estavam prontas, enquanto que a construção completa foi abandonado por um projeto bem mais lucrativo para o rei.

História da Place Vendôme a 4° Praça Real
Place Vendôme ou Place Louis Le Grand. Paris.

Portanto, um novo plano de especulação imobiliária foi colocado em ação, reduzindo assim o antigo plano retangular da praça, para um plano quadrado octogonal, projeto também do arquiteto, Jules Hardouim-Mansart.

Edifícios mais luxuosos, elegantes, de estilo clássico, destinados a venda para alta nobreza. Consequentemente todas as fachadas que já estavam construídas foram demolidas.

Em 12 de agosto de 1792, a estátua do rei Luis XIV também foi destruída e derretida durante a revolução francesa, por uma população revoltada contra a monarquia absoluta, e a “Place Louis-le-Grand” passou ser chamada de “Place de la Conquête“, (Conquista).

De 1793, durante o período do terror até o fim do governo provisório chamado “Diretório”, em 1799, a praça se chamou: “Place des Piques“.

Destruição da estátua equestre de Luís XIV na Place Louis-le-Grand (Place Vendôme), Paris.

Place Vendôme

Somente em 1806, voltou a ser chamada Place Vendôme após abertura da rue de la Paix, com a construção no centro da praça, de uma coluna em bronze que teve diversos nomes: Coluna de Austerlitz, Coluna da Vitória, Coluna do Grande Exército e finalmente Coluna Vendôme“.

Monumento em comemoração ao imperador da França, Napoleão Bonaparte (1804-1815), por sua grande vitória na Batalha de Austerlizt, em 2 de dezembro de 1805.

Quanto a estátua de Napoleão no topo, foram três e foram modificadas conforme os acontecimentos da história de Paris.

As três estátuas de Napoleão Bonaparte no alto da Coluna Vendôme:

Inaugurada em 1810, a Coluna Vendôme com seus 44 metros de altura e 3,60 metros de diâmetro foi projetada pelos arquitetos: Jacques Gondouin (1737-1818) e Jean-Baptiste Lepère (1761-1844) inspirada (ou imitado) na Coluna de Trajano (113 d.C.), que se encontra no Fórum de Trajano, em Roma.

História da Place Vendôme a 4° Praça Real
Coluna Vendôme, na Place Vendôme, Paris.

Composta por 98 tambores em alvenaria revestido em bronze de 1200 canhões tomados dos russos e austríacos na Batalha de Austerlitz, ornamentado por baixos-relevos do escultor Étienne Bergeret, representando conquistas e cenas de batalhas vencidas por Napoleão Bonaparte I, contadas por um movimento espiral, até o topo do monumento.

No interior da Coluna, encontra-se uma escada helicoidal que permite o acesso a plataforma superior, onde se encontra a estátua de Napoleão Bonaparte.

História da Place Vendôme a 4° Praça Real
Detalhe da frisa em bronze da Coluna Vendôme. Foto: Mbzt.

A base da Coluna Vendôme de granito de pórfiro (Córsica) tem uma inscrição escrita na maneira antiga, que diz o seguinte:

NEAPOLIO IMP AUG, MONUMENTUM BELLI GERMANICI, ANNO MDCCCV, TRIMESTRI SPATIO DUCTU SUO PROFLIGATI, EX AERE CAPTO, GLORIAE EXERCITUS MAXIMI DICAVIT.

Tradução:
Napoleão Imperador Augusto consagrou à glória do Grande Exército esta coluna formada pelos insolentes conquistado dos inimigo durante a Guerra Alemã, vencida sob o seu comando em 1805, no espaço de três meses.
Base Coluna Vendôme, Paris. Foto: Mbzt.

A 1° estátua de bronze foi realizada por Antoine-Denis Chaudet (1763-1810). Napoleão vestido como uma toga romana como imperador, Júlio César (49 a.C – 44 a.C.) coroado com os louros da glória, segurando com a mão esquerda um pequeno globo com a deusa da Vitória (ou Nike na mitologia grega), e com a direita uma antiga espada romana.

Estátua derretida de Napoleão, de A. D. Chaudet.

Mas a não durou muito lá no alto, pois logo após sua derrota na Batalha das Nações, em outubro de 1813, Napoleão foi obrigado a abdicar do trono francês, e a estátua retirada em 1814. O bronze foi derretido em 1818, para ser usado na estátua equestre de Luís XIV, de François Joseph Bosio (1768-1845), na Praça das Vitórias, inaugurada em 1822. (Ler artigo).

Durante a volta da monarquia, que corresponde com o período da restauração com os reis Luís XVIII (1814-1824) e Carlos X (1824-1830), a estátua foi substituída pela bandeira da flor-de-lis, símbolo da monarquia Real.

A estatueta do globo com a deusa Vitória foi recuperada e escondida por um comerciante de vinhos e vendida em leilão por 32 francos. Voltou para o alto da coluna, na 3° estátua de Napoleão, que vamos ver mais a diante.

A 2° estátua foi realizada pelo escultor Charles Marie Émile Seurre (1798-1858) com 16 canhões que sobraram da batalha de Austerlitz. Napoleão Bonaparte vestido como um simples cabo do exército com seu chapéu bicorne.

Estátua de Napoleão, de Seurre, no pátio dos Inválidos. Paris.

Inaugurada em 28 de julho de 1833, na presença do rei Luís Filipe I° (1830-1848) foi retirada em 1863, pelo seu sobrinho e também imperador da França, Napoleão Bonaparte III (1852-1870), para ser colocada sobre um pedestal na rotatória da entrada da cidade de Courbevoie (bairro “la Défense”), onde permaneceu até em 1870, ano em que Paris se encontrou cercada pelas tropas prussianas.

Segundo alguns historiadores, a 2° estátua foi jogada no rio Sena, nesse ano, como forma de protegê-la dos prussianos. Ficou dentro do rio, durante 4 meses, e assim que a paz foi restabelecida foi resgatada e levada para o depósito dos Mármores do Estado.

Em 1911 foi restaurada e instalada no pátio de honra no Museu dos Inválidos, e se encontra no alto portal da Igreja dos Soldados ou Igreja “Saint-Louis-des-Invalides”.

A 3° estátua foi colocada para substituir a indigna estátua imperial de Napoleão de Émile Seurre, (indigna por estar vestido de soldado), por uma cópia em bronze realizada pelo escultor Auguste Dumont (1801-1884), da 1° estátua realizada por Chaudet, onde Napoleão está representado vestido como o imperador romano, Júlio César, coroado pelos louros da glória, segurando com a mão da direita o globo e a estatueta da Vitória. Estatueta original que foi salva em 1818.

Estátua de Napoleão, de Dumont. Praça Vendôme. Paris.

A 3° estátua de Auguste Dumont também acabou sendo derrubada em 16 de maio de 1871 pelo insurreição popular da Comuna de Paris, que a consideravam: “Um símbolo da barbaria, da falsa glória, uma afirmação do militarismo, uma negação do direito internacional, um insulto permanente dos vencedores aos vencidos, um ataque perpétuo a um dos três grandes princípios da República Francesa, a fraternidade”.

Coluna Vendôme derrubada pela insurreição popular da Comuna de Paris.

(A Comuna de Paris foi uma forma de governo temporário que ocorreu em Paris entre 18 de março e 28 de maio de 1871, controlado por trabalhadores e membros das classes populares da França).

Coluna Vendôme derrubada pela insurreição popular da Comuna de Paris.

Em 1873, com o fim das revoltas, Patrice de Mac Mahon o novo presidente da França (1873 a 1879) ordenou que o monumento fosse reconstruído, pois tanto as placas de bronze da coluna quanto a 3° estátua de Napoleão haviam sido salvas pelo exército de Versalhes (Les Versailles), apesar de terem sido quebradas.

Depois de dois anos de restauração, a estátua de Dumont, cópia da 1°, foi reinaugurada em 1875.

Quanto a pequena estatueta da Vitória que estava em posse de uma americana voltou para França como doação em 1966, e hoje se encontra no quarto de Napoleão Bonaparte, em cima de uma mesinha de cabeceira, no Castelo de “Malmaison”, na cidade de Rueil-Malmaison, a 20 km de Paris.

Estatueta da deusa Vitória, que estava no globo da estátua de Dumont.

A Coluna Vendôme passou por um grande restauração entre 2014 e 2015, grande parte financiada pelo fabuloso hotel Ritz que se encontra na praça.

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2 Comentários


  1. Nada como um país que tem história pra contar. Que venham mais histórias.

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  2. Prezado Tom,
    Obrigado por nos contar mais uma história dessa fascinante cidade!

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