História do Castelo de Versalhes

História do Castelo de Versalhes

Tempo de leitura: 28 minutos

A História do Castelo de Versalhes começou no século XVII, sobre terras pantanosas onde o rei Luís XIII (1610-1643) ordenou que fosse construído para seu conforto um Pavilhão de caça.

Seu filho e herdeiro Luís XIV (1643-1710) o transformou no maior Palácio Real da Europa, o retrato dos seus exageros delirantes, do poder absoluto, e do requinte extremo.

Mesmo com a queda da monarquia em 1793, diferentes governos conseguiram preservá-lo como um dos maiores e rentáveis Patrimônio do país.

Origem de Versalhes

O nome Versalhes apareceu pelo 1° vez em 1038 num documento na Abadia de Chartres, mencionado o nome de Hugo de Versailliis, senhor feudal não muito importante, mas subordinado ao rei que construiu uma pequeno castelo, envolta de uma igreja e um vilarejo, bem próximos ao atual Castelo de Versalhes.

O vilarejo foi parcialmente destruído durante a Guerra do Cem Anos (1337-1453), e o castelo que se encontrava em ruínas foi reformado pelo seu novo proprietário Senhor (Sir) de Soisy, que ampliou o edifício, com novos aposentos, um portal de entrada, duas torres de vigilância, jardins, estábulos, moinho de vento e terras férteis para plantações, fazendo um total de 80 hectares.

Em 1561 a propriedade de Soisy foi vendida a Martial de Loménie, secretário de finanças do rei Carlos IX (1560-1774). Preso em 1572, por questões religiosas (era protestante) foi forçado a vender suas terras e propriedades de Versalhes, a um preço bem baixo do mercado (35.000 livres), ao rico católico de Florença, Albert Gondi (1522-1602), amigo de Catarina de Médici (1519-1589), nomeado mais tarde Marechal de Retz.

Loménie morreu na prisão em 24 de agosto de 1572, dia da Saint-Barthélemy (ler artigo aqui).

Albert Gondi recebia em seu castelo de Versalhes convidados ilustres para participar de caçadas como o rei Henrique III (1574-1589) e seu primo-cunhado, Henrique de Navarra, poupado no dia do massacre dos protestantes por ter sangue real.

Pavilhão de caça de Luís XIII

Henrique III após morrer assassinado sem deixar um sucessor, o trono francês passou para a família Bourbon, onde Henrique de Navarra era o chefe. Tornou-se rei da França, em 1589 com o nome de Henrique IV (1589-1610). Fascinado por caçadas, passou a frequentar regularmente a propriedade de Gondi em Versalhes. Luís XIII (1610-1643) seu filho, fez sua 1° caçada em 1607, com apenas 6 anos.

Em 1610, Henrique IV, após ter sido assassinato por François Ravaillac, seu filho Luís XIII foi proclamado rei aos 9 anos de idade, e a caça tornou-se sua maior paixão.

Cansado de passar noites desconfortáveis no antigo e abandonado castelo de Gondi, em 1623 comprou todas as terras próximas ao vilarejo, e mandou construir no alto de um monte, um pequeno Pavilhão de caça de 35 metros de comprimento x 6 metros de largura.

No 1 ° andar, no centro do edifício, o apartamento do Rei. No térreo, uma pequena galeria decoradas com tapetes nos muros, para reuniões de Estado e encontros de caça.

História do Castelo de Versalhes
Pavilhão de caça em Versalhes, de Luís XIII (1623).

Complementado por dois edifícios nas laterias em forma de U. No térreo, na ala da direita a cozinha e aposentos dos empregados, e na ala da esquerda sanitários e depósitos de mercadorias . No 1° andar aposentos dos convidados do rei. Um conjunto fechado por um muro, portal de pedra e grades.

Construído com materiais simples com tijolos aparentes, pedra e telhado de ardosia, Luís XIII fez dessa singela residência, seu local favorito para treinamento de futuras guerras e descanso de longas caçadas.

Alguns anos mais tarde, foi cercado por um fosso e uma ponte levadiça.

História do Castelo de Versalhes
Pavilhão de caça em Versalhes, de Luís XIII (1623) cercado por um fosso e ponte levadiça.

Em 1631 e 1634, Luís XIII ordenou ao seu 1° arquiteto, Philebert le Roy (? – 1646) de aumentar seu castelo, construindo 4 novos pequenos edifícios nos ângulos extremos de cada ala.

História do Castelo de Versalhes
Castelo de lazer, de Luís XII (1634). Arquiteto Philebert le Roy.

Comprou a propriedade e terras do herdeiro de Gondi, e mandou construir em torno do novo castelo, um jardim fechado e uma reserva cercada na floresta de Versalhes, de animais selvagens de veados, javalis, perdiz … E outros.

História do Castelo de Versalhes
Castelo de Luís XIII, jardins e áreas de cultivo (1640). Estampa de J. Gomboust.

E foi a partir deste pequeno castelo de caça e lazer, apelidado de Castelo de Cartas” (“Château des cartes”), que seu herdeiro Luís XIV (1643-1715), o transformou durante 50 anos com novas construções, no maior Castelo Real da Europa.

Castelo de Versalhes no reinado de Luís XIV

Nos primeiros anos de seu reinado Luís XIV vinha raramente em Versalhes, somente a partir de seu casamento coma a rainha Maria Teresa da Áustria (1660-1683) que resolveu transformar completamente o pequeno castelo de cartas de seu pai, num verdadeiro Castelo Real.

Sua vontade de deixar definitivamente o Palácio do Louvre, em Paris para morar em Versalhes, aconteceu em 1661, logo após a morte de seu tutor, regente e cardeal Jules Mazarino (1602-1661) e sua visita ao castelo de seu ministro das finanças, Nicolas Fouquet (1615-1680), o fabuloso Castelo Vaux-Le-Vicomte

História do Castelo de Versalhes
Castelo Vaux-Le-Vicomte, de Nicolas Fouquet. Foto: Lourdel e Chicurel.

Furioso e com inveja do esplendoroso castelo do debochado ministro, que lhe humilhou publicamente com ostentações festivas, riquezas arquitetônicas, obras de mestres de pinturas e esculturas, (que ele mesmo não possuía no Louvre), e desconfiado segundo delações que verbas da coroa haviam sido desviadas para construção de Vaux-Le-Vicomte, o rei Luís XIV mandou prender o ministro Fouquet.

Condenando três anos depois por peculato recebeu uma pena leve, confiscação dos bens e expulsão da França, mas o rei usando seu poder de decisões divinas na terra, mudou a sentença para uma prisão perpétua. Fouquet morreu em 1680, na sua cela, 19 anos mais tarde na fortaleza do Pinerolo, hoje na Itália.

Para marcar seu reinado, seu poder militar na Europa, seu autoritarismo e fazer propaganda da indústria de manufaturas da França (tapetes, vidros, cristais, prata…) contratou os mesmo artistas que projetaram Vaux-Le-Vicomte: O arquiteto Louis Le Vau (1612-1670), o paisagista André le Nôtre (1613-1700), e o decorador, pintor, Charles Le Brun (1619-1690) para realizarem o mais rico e grandioso castelo da França, o Castelo de Versalhes, de forma que não houvesse comparações com qualquer outro castelo da Europa.

Em 1661, Luís XIV comprou mais terras para realização desse grandioso projeto, aumentou a reserva de bosques e florestas de caça para 700 hectares, e os jardins do castelo, para 90 hectares. Uma obra que vai durar 38 anos para ser finalizada.

História do Castelo de Versalhes
Castelo de Versalhes 1664. Imagem 3D.

Entre 7 e 13 de maio de 1664 foram realizadas as primeiras festas nos jardins de Versalhes, em homenagem a Ana da Áustria (1601-1666), mãe de Luís XIV, e a sua esposa, a rainha Maria Teresa de Áustria 1638-1683) chamada: “Les Plaisirs de l’Île Enchantée”.

História do Castelo de Versalhes
“Les Plaisirs de l’Île Enchantée”, por Israël Silvestre.

Na realidade foi uma homenagem a sua primeira amante oficial, Luisa de La Vallière (1644 – 1710) criada pelo mestre dramaturgo francês, Molière (1622-1673) e do compositor italiano radicado francês, Jean-Baptiste Lully (1632-1687), a peça girava em torno das relações amorosas, aventuras e encantos da vida.

Dias de festas que marcaram definitivamente Versalhes como um local de divertimentos e prazeres.

História do Castelo de Versalhes
Castelo de Versalhes (1665), época de Luís XIV. Imagem 3D.

Em julho de 1668, foi realizada uma segunda festa nos jardins, conhecida como “Grand Divertissement Royal de Versailles” para celebrar a paz de Aix-la-Chapelle e anexação da região Flamenga (Flandes) da Bélgica e homenagear sua nova amante, Madame de Monstespan (1640-1707).

Foi durante esta festa que nobres, damas e cortesões se manisfestaram do desconforto de pernoitar em Versalhes, pois faltavam alojamentos na cidade.

História do Castelo de Versalhes
Castelo de Versalhes (1668). Pintura de Pierre Patel. Museu de Versalhes.

O arquiteto Louis Le Vau propõe ao rei de ampliar o castelo no lado do jardim (oeste), com um segundo edifício circundando o antigo pavilhão de caça de Luís XIII.

História do Castelo de Versalhes

Proposta aceita, o edifício novo em construção em 1664 tinha também com o objetivo segundo a vontade do rei, de se diferenciar do antigo castelo de tijolos aparentes, do filho seu Luís XIII.

Louis le Vau aproveitou-se para seguir o novo conceito arquitetônico do momento, chamado, Classicismo Francês, com as seguintes caraterísticas: Uniformidade, simetria e decorações com inspiração na Grécia antiga.

Um estilo para espelhar (refletir) a glória e o poder do rei Luís XIV.

Fachadas em pedra talhada em bege claro, piso e muros em mármore policromados. São construídos ao norte, os Grandes Apartamentos e Apartamento do Rei, e ao sul, o Apartamento da Rainha.

Entre os dois apartamentos reais foi aberto grande terraço com vista para os jardins, e uma pequena galeria para fazer a ligação entre os blocos norte (do rei) e sul (da rainha).

História do Castelo de Versalhes
Castelo de Versalhes (1670). Imagem 3D.

Em 1670, com a morte do arquiteto Le Vau, o rei contratou o arquiteto Jules Hardouim Mansart (1746-1708) para dar continuidade as reformas e as novas construções do Castelo e as áreas no jardim.

Em 1679, Luís XIV aumentou mais ainda sua área de caça e lazer, comprou terras que se encontravam por volta de 10 km do centro de Versalhes, lado oeste (jardins). Criando assim o Grande Parque e o Pequeno Parque de Versalhes. Área total de 11.000 hectares.

História do Castelo de Versalhes
Área total de Versalhes em 1779.

Em 1670 arquiteto que o terraço externo foi fechado e coberto e transformado na magnífica Galeria dos Espelhos, espaço de recepções e encontros importantes no castelo.

História do Castelo de Versalhes
Galeria dos Espelhos do Castelo de Versalhes. Foto: Myrabella

Em 1682, Luís XIV decidiu fixar a residência permanente da corte em Versalhes, que viveram por vários anos no meio das obras e entre 36.000 trabalhadores. Mansart construiu na ala sul, apartamentos para a família real e os príncipes do sangue, na ala du Midi.

Afim de acomodar por volta de 10.000 pessoas novas alas foram construídas. A Ala”du Midi“, antes destinado aos príncipes passaram alojar nobres e cortesões; Grande Écurie“, destinada como garagem de carroças e carruagens e a “Petite Écurie” , como alojamento dos mosqueteiros, soldados e cavalariça; O “Grand Commun“, aos serviçais, cozinheiros, açougue e cozinhas; Alas dos Ministros e por último, a Ala du Nord para empregados do castelo e família de nobres.

Mansart ao finalizar a Galeria do Espelhos em 1684, levou o rei Luís XIV a abandonar o seu antigo apartamento do lado norte, (que se tornou sala de audiência), e se instalou no centro do Castelo.

História do Castelo de Versalhes
Apartamento real de Luís XIV, XV e XVI.

Primeiramente, se instalou em apartamentos provisórios, até o seu magnífico quarto dourado foi finalizado em 1701, ritmando as cerimônias do seu dia a dia (o acordar, a missa, o almoço, lanche da tarde, jantar e o adormecer), e vida de todos os cortesões, que se encontravam em sua volta.

Ricamente decorado para ocasião, com vista para leste, pátio de mármore, e entrada do Castelo e cidade de Versalhes.

História do Castelo de Versalhes
Apartamento do Rei no Castelo de Versalhes.

Ala du Nord, (simétrica a Ala du Midi), que havia sido finalizada em 1689, teve uma parte demolida para construção da 5° e definitiva Capela Real de Versalhes.

Obra iniciada em 1699 por Mansart ( (1746-1708) , que não viveu o bastante para vê-la terminada pelo seu cunhado e arquiteto, Robert de la Cotte (1650-1735), em 1710.

História do Castelo de Versalhes
Capela real de Versalhes. Imagem 3D

Capela Royal inspirada no estilo gótico, distribuída em 2 níveis conforme a tradição das capelas palatinas. No 1° andar tribunas reservadas ao rei, a família real e as pessoas mais importantes da corte, e no térreo para os fiéis que frequentavam o Castelo.

Ricamente decorada, a Capela dedicada a São Luís, santo patrono da monarquia, foi o último edifício construído no reinado de Luís XIV, coroando com arte, maestria, grandiosidade e magnificência sua impressionante obra em Versalhes.

Castelo do Trianon ou “Grand Trianon”

Trianon era o nome de uma antiga cidade fundada na Idade Média. Em 1660, Luís XIV comprou todas as áreas de terras que cercavam a pobre cidade, mandou demolir todas as casas e a Igreja Notre-Dame e transferiu os habitantes para outras habitações nas proximidades para construção de um pequeno castelo de lazer, para descanso, trazer amantes e fugir da agitação da corte e das regras rígidas da etiqueta que o obrigava estar sempre encenando ser um grande rei justo e bom.

O arquiteto oficial de Versalhes, Louis le Vau, se ocupou da construção dos 5 pavilhões com fachadas cobertas por azulejos azuis e brancos, chamados “chineses”. O projeto assim que ficou pronto em 1671, o apelidaram de “Trianon de Porcelaine” devido sua maravilhosa decoração dos muros em azulejos.

História do Castelo de Versalhes
“Trianon de Porcelaine” (1680). Vista da entrada. Estampa de Adam Pérelle. Coleção: Bnf.

O pavilhão central era destinado ao relaxamento do rei, os outros quatro pavilhões, que cercam o pátio eram destinados aos serviços culinários do rei.

Mas um conjunto de obras delicadas que resistem mal a umidade, ao frio intenso e ao desgaste do tempo, sendo necessário várias intervenções para consertos de rachaduras e trocas de azulejos.

História do Castelo de Versalhes
“Trianon de Porcelaine” (1680). Vista dos jardins. Estampa de Adam Pérelle. Coleção: Bnf.

Em 1687, Luís XIV procurando mais espaços para trazer sua corte de amigos (as) próximos, ordenou a destruição total de todos os edifícios do Trianon de Porcelana, e a construção de um novo castelo, no mesmo local.

Como era um dos mais importantes, rico e temível rei da Europa, escolheu a pedra de mármore, como elemento principal de decoração e revestimento, encontrados em abundância nos pilares, paredes e pisos. O castelo passou a ser chamado de “Trianon de Marbre”  (Trianon de Mármore) ou Grand Trianon“.

História do Castelo de Versalhes
Grand Trianon de Versalhes. Foto: site Château de Versalhes.

O arquiteto Jules Hardouin Mansart (1746-1708) do antigo castelo conservou somente o traçado do jardim, e projetou um edifício muito mais refinado, composto de um pátio, um palácio, um conjunto de jardins e fontes de água.

História do Castelo de Versalhes
“Grand Trianon” em Versalhes.

Foi residência de muitas personalidades:

  • O próprio Luís XIV e sua 2° esposa, Madame de Maintenon (1635-1719).
  • Maria Leszczyńska (1725-1768) esposa de Luís XV, e também de sua amante, Madame de Pompadour.
  • Pedro I da Rússia (Pedro, o Grande).
  • Maria Antonieta.
  • Napoleão Bonaparte I (1809) e Maria Luísa (1810-1814).
  • Maria e Clementina de Orléans, filhas do rei Luís Filipe I (1830-1848).
  • Charles de Gaulle (1890-1970).
  • Richard Nixon, em 1969; e a rainha da Inglaterra.
  • Elizabeth II, em 1972.

Castelo de Versalhes no reinado de Luís XV

Em 1715, com a morte de Luís XIV faltando apenas 4 dias para completar 77 anos, seu bisneto de 5 anos, Luís XV (1710-1774) herda o trono da França. Durante o período de regência de Filipe II, Duque de Orleães (1715-1723), foi levado para morar e ser instruído no Palácio das Tulherias, em Paris.

Em 15 de junho de 1722, Luís XV, seis meses antes da proclamação da sua maioridade, foi que decidiu a viver no Castelo de Versalhes e também estabelecer sua sede de governo.

Luís XV, rompendo com a restrita etiqueta de Versalhes introduzida por Luís XIV ordenou grandes reformas nos antigos apartamentos privados do seu bisavô, procurando ter mais espaço, conforto e privacidade para ele e sua grande família de 10 filhos.

Suas reformas foram marcadas também por algumas destruições lamentáveis, como a antiga escada de duplo acesso ao apartamento do rei ou ao salão de festas, chamada “l’Escalier des Ambassadeurs” (Escadaria dos Embaixadores).

História do Castelo de Versalhes
Escadaria dos Embaixadores, no Castelo de Versalhes, destruída em 1752.

Mas também acrescentou remarcáveis obras como: o Salão de Hércules, no lugar da 4° Capela na época Luís XIV, transformada no 2° maior salão de festas de Versalhes, pelo arquiteto Robert de Cotte, o mesmo que finalizou a 5° Capela Real.

História do Castelo de Versalhes
Salão de Hércules, no Castelo de Versalhes. Foto: C. Milet .

Em 1758, Luís XV encomendou ao seu 1° arquiteto Ange-Jacques-Gabriel (1698-1782) um pequeno castelo para sua amante preferida Madame de Pompadour (1721-1764), nos jardins de Trianon, dentro do Parque de Versalhes.

História do Castelo de Versalhes
Frente Petit Trianon de Versalhes. Foto: Château Versailles.

Obra terminada em 1768, foi apelidada de Petit Trianon para se diferenciar do Grand Trianon, castelo de lazer de Luís XIV, que se encontra bem próximo dali.

Jardins Petit Trianon de Versalhes. Foto: Château Versailles.

No final dos seu reinado Luís XV fez construir a maior sala de espetáculos de Versalhes, a Ópera Royal (Real). Inaugurada em 16 de maio de 1770, dia do casamento do seu neto e futuro rei Luis VI (1774-1792) e Maria Antonieta (1774-1792).

História do Castelo de Versalhes
Ópera Royal de Versalhes (1770). Foto: Site Opéra Online.

Em 1771, Ange-Jacques Gabriel, o primeiro arquiteto do rei Luís XV, apresentou seu “grande design”, ou grande projeto. A idéia era refazer completamente as fachadas do castelo do lado da cidade, a fim de remover o que era considerado na época muito feio: a mistura de tijolo e pedra. Por falta de recursos, o projeto será interrompido. A ala Luís XV (agora conhecida como asa Gabriel) está concluída, mas de repente quebra a simetria do castelo.

Desde o final do reinado de Luís XIV, os críticos comentavam a falta de harmonia entre as fachadas do castelo no lado da cidade, que por ser muito antiga, dava a impressão que o rei era pobre e sem imaginação.

Por ordens de Luís XV, a reconstrução começou em 1771, com o arquiteto Ange-Jacques Gabriel (1698-1782), que propôs um grande projeto moderno com novos edifícios ao redor do pátio de mármore. A obra começou com a demolição de uma parte da ala direita do edifício central.

História do Castelo de Versalhes
Pavilhão Gabriel e Capela Royal. Foto: Patrick

A obra começou com a demolição da ponta norte, ala dos Grandes Apartamentos, mas três anos depois devido a morte de Luís XV, em 1774, o grande projeto foi interrompido para sempre, restando pronto somente o Pavilhão Gabriel.

Castelo de Versalhes no reinado de Luís XVI

Com o neto de Luís XV, seu sucessor, o rei Luís XVI (1774-1792/1793), a França passava por várias dificuldades econômicas e políticas, e o Castelo de Versalhes se declinava dia após dia, necessitando reformas urgentes. Mas a pedido da rainha Maria Antonieta o pouco que restava em recurso, foram usadas em obras no Petit Trianon.

Uma parte dos jardins francês, (simétricos e ordenados) do paisagista André le Nôtre (1613-1700), projetados na época de Luís XIV, foram transformado em jardins inglês, ou seja, sem simetria e desordenados.

Em 1783, ela pediu a seu arquiteto Richard Mique (1728-1794) que construísse mais ao norte dentro do Parque de Versalhes, uma pequena aldeia (hameau) composta de um lago cercado por casinhas de palhas, um moinho (decorativo), celeiro, chiqueiro, casa dos guardas, leiteria…

História do Castelo de Versalhes
Aldeia da rainha Maria Antonieta. Projeto R. Mique.

Construções com fachadas simples mas que muitas vezes escondiam ricas decorações nos interiores.

História do Castelo de Versalhes
Aldeia da rainha da Maria Antonieta, em Versalhes. Foto: site Château de Versailles.

Em 1789, a Revolução francesa obrigou a família real abandonar o Castelo de Versalhes pelo Palácio das Tulherias, em Paris e a aldeia da rainha caiu no abandono.

Restaurada várias vezes, entre 1810 a 18012 por Napoleão I; em 1930 graças aos dons do empresário do petróleo, John Rockefeller (1837-1935), e novamente em 2006 pelo Estado.

Nos antigos apartamento privativos de Luís XIV, restaurados por Luís XV poucas intervenções foram realizada por ordens de Luís XVI, somente alguns apartamentos receberam novas decorações e novas funções, como: a Biblioteca, (projeto de Ange-Jacques Gabriel), a Sala de jantar das Porcelanas, Sala “de la Cassete” (escritório de trabalho e contas), Salão de Jogos e a última grande obra de arte de Versalhes, executada na véspera da Revolução, o Guarda-Roupa de Luís XVI.

Castelo de Versalhes durante a Revolução Francesa.

Depois da queda da Bastilha em 14 de julho de 1789, Paris não parava de fervilhar. Em 05 de outubro de 1789, cerca 7 mil mulheres acompanhado por alguns homens saíram revoltados de Paris em direção a Versalhes.

História do Castelo de Versalhes
Cortejo de mulheres em direção a Versalhes. Gravura 1789.

Com a notícia espalhada, o cortejo no caminho duplicou, e ao chegarem no dia seguinte à 00h30, eram milhares de pessoas gritando por “PÃO”, em frente ao portão de acesso ao pátio real.

História do Castelo de Versalhes
Dias 5 e 6 de outubro de 1789. Cortejo de mulheres. Gravura da época.

O rei, informado e protegido por um exército confiável, desistiu de dispersar os manifestantes a conselho de seu ministro Jacques Necker (1732-1804).

História do Castelo de Versalhes
“La Marche des femmes sur Versailles” 1789. Imagem site: Château de Versailles.

Mas na manhã seguinte, um guarda suíço do rei, ao se ver cercado pela multidão, atirou e matou um membro da milícia armada de civis nacionalistas que apoiavam a revolução (Guarda Nacional). Foi o estopim que faltava para dar início o massacre contra os guardas suíços do rei, onde vários homens foram mortos.

Às 6h da manhã, os portões do castelo são forçados e a multidão corre em direção aos apartamentos da rainha. Um guarda da rainha só tem tempo para gritar: “Salve a rainha!” antes de ser brutalmente morto.

Maria Antonieta fugiu por uma porta secreta do seu quarto ao encontro de seus filhos e ao rei escapando por pouco do massacre.

Com a chegada do exército do general La Fayette (1757-1834), a família real acabou sendo salva a tempo.

História do Castelo de Versalhes
Família real no balcão do quarto do rei. Gravura

La Fayette, Luís XVI, Maria Antonieta, mais seus filhos Maria Teresa (1778-1844) e Luís Carlos (1788-5-1795) se apresentarem no balcão do quarto do rei, em frente ao pátio de mármore, para acalmar a multidão. Ovacionados com gritos: “Viva o Rei! Viva La Fayette! Viva a Rainha!”, Luís XVI declarou:

Mes amis, j’irai à Paris avec ma femme et mes enfants ; c’est à l’amour de mes bons et fidèles sujets que je confie ce que j’ai de plus précieux !

Tradução livre:
Meus amigos, irei a Paris com minha esposa e meus filhos; é ao amor de meus bons e fiéis súditos que confio o que tenho de mais precioso!

No mesmo dia da invasão, às 13h25 , o rei e toda sua família deixam o Versalhes e foram levados para o Palácio das Tulherias.

Tentaram uma fuga para Áustria, em 20 de junho de 1791, mas foram presos no dia seguinte em Varennes cidade próxima a fronteira com a Alemanha. Levados de volta a Paris, Luís XVI, o último rei a viver no Castelo de Versalhes foi julgado e condenado em dezembro de 1792 e guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. Mesma pena para Maria Antonieta, julgada e condenada a guilhotina em 16 de outubro de 1793.

A população da cidade de Versalhes que era por volta de 51 mil habitantes em 1789, diminui para um pouco mais da metade em 1791. Uma grande parte dessa população foi obrigado a voltar para Paris ou outras cidade em busca de trabalho.

Com a nova República, as principais obras de arte de Versalhes acumuladas por mais de 100 anos, entre pinturas, gravuras, objetos e esculturas foram enviadas ao Muséum Central des Arts de La Republique, (atual Museu do Louvre), Biblioteca Nacional e Conservatório de Artes e Oficios em Paris, e os móveis vendidos em leilões. Uma grande parte se encontra atualmente nos Palácios de Buckingham e Windsor, na Inglaterra.

O Castelo de Versalhes após o fim das revoltas populares esteve preservado pelo estado.

Foi instalado um Museu de História Natural, no térreo, ala norte, abaixo dos apartamentos da rainha; um Conservatório de Música, na Ópera Real; uma Escola de Pintura, na ala dos Ministros; e uma Escola desenho de modelos vivos, no Salão de Hércules.

Versalhes Pós Revolução Francesa

Com a subida do imperador Napoleão Bonaparte I (1804-1814/1815), ao trono francês, o Castelo de Versalhes voltou a ser uma residência da coroa. Apesar de não gostar do velho castelo de Luís XIV, pois achava pequeno, mal feito e inabitável, ordenou assim mesmo que fosse restaurado.

Mas visto os custos altíssimo preferiu restaurar primeiramente os apartamentos do “Grand Trianon” e do “Petit Trianon”, para suas férias de verão com sua família.

História do Castelo de Versalhes
Apartamento da imperatriz Maria Luisa, no Grand Trianon. Foto: site Château de Versailles.

Curiosamente Napoleão I e a imperatriz Maria Luisa (1791-1847), ocuparam o Grand Trianon pouquíssimas dias, em três anos, 1810, 1811 e 1813. Depois obrigado a abdicar ao trono por duas vezes, (1814 e 1815), nunca mais voltou a Versalhes.

Com a volta da monarquia constitucional, o rei Luís XVIII (1814/1815-1824), irmão de Luís XVI, só teve tempo de encomendar ao seu arquiteto Alexandre Dufour (1760-1835) de restabelecer a simetria do castelo com relação ao Pavilhão Gabriel.

História do Castelo de Versalhes
Pavilhão Dufour e Gabriel. Imagem 3D.

Seu sucessor e irmão Carlos X (1824-1830), não teve tempo nem de morar e nem de fazer obras ou restaurações em Versalhes.

Somente graças ao rei Luís Filipe I (1830-1848), último rei dos franceses, e o 1° da família Orleães, que Versalhes escapou da destruição e da ruína. Em 1833 ele decidiu com dinheiro próprio transformar o Castelo Real de Versalhes, num Museu Histórico dedicado a todas as Glórias da França.

Na ala do Midi, mandou destruir os antigos apartamentos dos príncipes e nobres da Ala du Midi, para construção de uma longa galeria de 120 metros de comprimento por 13 metros de largura para serem expostas 33 grande pinturas de vários artistas da época, retratando as principais batalhas vencidas pela França, desde a vitória de Clóvis em Tobiac (496 d.C) até a batalha de Wagram, vencida por Napoleão, em 1809.

História do Castelo de Versalhes
Galeria das Batalhas. Castelo de Versalhes. Ala du Midi. Imagem 3D.

Desde a sua inauguração em 10 de junho de 1837, a Galeria da Batalhas permanece intacta, com todas as obras encomendadas pelo rei, exatamente nos mesmo lugares. Luís Filipe I, também restaurou para seu uso pessoal, o Grand Trianon.

Hoje, o Castelo apresenta por volta de 120 apartamentos visitáveis que seguem uma política de restauração do Estado, conforme se encontravam nas épocas de Luís XIV, XV e XVI e suas respectivas rainhas.

Acontecimentos importantes

Durante a Exposição Universal de Paris em 1867, o imperador Napoleão III (1852-1870), com ajuda da sua esposa a imperatriz Eugénia de Montijo (1853-1870) que era fã de Maria Antonieta, conseguiu reintegrar importantes móveis para a coleção do Castelo, como o cofre de diamantes “Serre-Bijoux” (1787), do artista carpinteiro Jean-Ferdinand Schwerdfeger (1734-1818) e bronze de Thomire Pierre-Philippe (1751-1843).

História do Castelo de Versalhes
“Serre-bijoux” (1787) de J-F. Schwerdfeger  e Thomire Pierre-Philippe.
Foto: Gérard Blot.

Durante a guerra franco-prussiana (1870-1871), e o cerco de Paris, o Castelo de Versalhes foi tomado pelo exército alamão e tornou-se a sede do Quartel General.

Em 18 de janeiro de 1871, o rei da Prússia, Guilherme I da Prússia (1797-1888) foi proclamado imperador da Alemanha, na Galeria dos Espelhos, do Castelo de Versalhes.

Em 1860 as velhas árvores da época de Luís XIV foram abatidas, e substituídas depois da queda de Napoleão III (1852-1870) e a guerra Franco-Prussina ( 1870-1871).

História do Castelo de Versalhes
A proclamação do Império Alemão (1885), de Anton von Werner (1843-1915).
Museu Bismark (Alemanha).

Em 28 de junho de 1919, na Galeria dos Espelhos, em Versalhes, foi assinado o Tratado de Versalhes (ou Tratado de Paz) entre as potências europeias (França, Inglaterra, Itália, Sérbia….) contra a Alemanha, determinando o fim da 1° Guerra Mundial.

Assinatura do Tratado de Versalhes, na Galeria dos Espelhos, em Versalhes.
Foto: Helen Johns Kirtland (1890-1979) e Lucian Swift Kirtland (1881-1965).

Com aproximação da 2° Guerra Mundial, graças a Pierre Ladouée (1881-1973), curador dos Museus Nacionais, conseguiu organizar a tempo a retirada das principais pinturas e objetos do Castelo de Versalhes e enviá-las para o Castelo de Chambord, no Vale do Loire.

Durante a ocupação alemã ficaram na administração e na proteção de todo o domínio de Versalhes (castelo, anexos e jardins) somente Pierre Ladoué, sua esposa, um bombeiro deficiente físico e três jardineiros.

Castelo de Versalhes ocupada pelos nazistas, na 2° Guerra Mundial. Foto: Ullstein Bild 

No fim da Guerra as obras foram trazidas intactas de volta para Castelo e instaladas nos seus devidos lugares. Pierre Ladoué, tempo depois recebeu a Medalha Nacional da legião de Honra pelos heroicos serviços prestados a nação.

Castelo de Versalhes é um Patrimônio Nacional a disposição do Presidente da V República, e ainda hoje são realizadas importantes restaurações para que nunca perca seu brilho e sua magnificência.

Gostaria de fazer uma visita guiada em Paris? Então clique no botão abaixo para mais informações e agendamento. Aguardo seu contato! Tom Pavesi!

1 comentário


  1. Outro ótimo texto. Esclarecedor, bem ilustrado, muito interessante. Obrigado por nos oferecer essas informações.

    Responder

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *