Mona Lisa ou Mon Salai

Mona Lisa ou Mon Salai

Tempo de leitura: 10 minutos

Mona Lisa ou Mon Salai talvez seja mais um mistério que se esconde atrás deste mundialmente famoso retrato pintado pelo genial pintor florentino renascentista, Leonardo Da Vinci (1452-1519), entre os anos de 1503 a 1506 (ou 1507).

Mona Lisa para muitos:

Mona Lisa ou Mon Salai
Mona Lisa (restaurada), de Leonardo da Vinci. Museu do Louvre.

Mona Lisa é a enigmática esposa de Francesco del Giocondo (1465-1538) também conhecida pelos nomes: Lisa Maria Gherardini ou Lisa del Giocondo ou Lisa di Antonio Maria ou Lisa di Antonmaria ou Gioconda. 

Em 1503, Francesco del Giocondo importante negociante de tecidos em Florença, (Itália), possivelmente contratou os serviços do renomado pintor da época, Leonardo Da Vinci, para que retratar sua terceira e fiel esposa, Lisa ou melhor, Mona Lisa, (contração de Madona = Mona).

Francesco del Giocondo.
Autor desconhecido

As possibilidades desta contratação talvez foi para marcar o nascimento do 3° filho do casal, Andrea, em 1502, após a triste perda de um precedente filho ocorrido durante a gravidez.

Além de servir para decorar a sala de estar de uma nova casa que havia comprado para demonstrar sua rica e rápida ascensão social no comércio, e na política da cidade. Com esses bens adquiridos ambos passaram a serem respeitados pela alta sociedade florentina.

Agora, o que sabemos de fato é que Francesco del Giocondo nunca recebeu sua encomenda de Leonardo, pois quando ele saiu de Florença para morar em Milão, em 1506, o quadro ainda estava inacabado.

Em 2 de maio de 1519, data da morte de Leonardo da Vinci, o quadro se encontrava em Amboise, em Clos Lucé, casa em que morava na França, a convite do rei Francisco I (1515-1547).

Casa de Leonardo da Vinco, Clos Lucé, em Amboise, França.

O herdeiro Francesco Melzi:

Muitas histórias foram ditas e escritas sobre ela, mas o que podemos dizer ao certo, graças aos documentos da época (século XVI), com a morte do pintor, o quadro da Mona lisa foi negociado (ou comprado), pelo rei Francisco I, diretamente com o provável herdeiro do pintor, Francesco Melzi (ca.1491-1568/1570).

Retrato de Francesco Melzi (~1510), de Antonio Boltraffio (-1516). 
Pinacoteca Ambrosiana

Francesco Melzi, jovem ajudante, aluno e pintor acompanhou em 1516, Leonardo da Vinci nesta viagem entre Florença e Amboise, ajudando-o até os últimos momentos de vida dele.

Foi ele quem acabou herdando os livros, ferramentas, anotações pincéis, desenhos e principalmente o manuscrito de escritas, o famoso Trattato della pittura”, sobre os fundamentos do desenho e da pintura, e suas relações filosóficas e teóricas, com o mundo artístico.

Trattato della pittura
Tratado da Pintura, de Leonardo da Vinci.

Perguntas sem repostas:

Mona Lisa ou Mon Salai

1 – Leonardo da Vinci tinha o costume de anotar em seu caderno o registro de todas as suas encomendas, como: nome do cliente, valor da obra, tema, etc… Mas no caso da Mona Lisa, nada foi encontrado, nenhum registro. Será  mesmo que houve encomenda?

2 – Se houve encomenda, já que o obra supostamente estava terminada em 1507, porque Leonardo da Vinci não entregou ao seu cliente Francesco del Giocondo?

3 – Será que foi por falta de pagamento de Francesco? Ou desinteressou-se pelo quadro? Uma coisa é certa que em 1507, Francesco se encontrava endividado, ao ponto de ser preso em 1512 por problemas financeiros e políticos.

4 – Será que Leonardo da Vinci ficou com a obra, com autorização de Francisco del Giocondo, para copiá-la e entregá-la mais tarde, mas como acabou morrendo, e não teve tempo?

5- Ou guardou porque perdeu o contato? Ou ficou com obra de propósito, para trabalhar e estudar novas técnicas de pinturas, segredos e enigmas, para serem descobertos mais tarde, em outras épocas, por cientistas e pessoas iluminadas como ele?

Mona Lisa ou Mon Salai?

Salai ou Gian Giacomo Caprottile (ca.1485-1528), jovem sedutor, aluno, ajudante e companheiro, na qual Leonardo da Vinci mantinha uma relação ambígua de protetor e amante.

Mona Lisa ou Mon Salai
Retrato de Salai (século XV ou XVI) por L. da Vinci.

Se não houve encomenda por parte de Francesco del Giocondo, será que Leonardo da Vinci usou Salai como modelo?

Neste caso, o nome Mona Lisa poderia ser um anagrama em francês de, Mon Salai (Meu Salai).

Segundo pesquisadores ele foi retratado mais tarde no quadro: São João Batista, pintado entre 1513 e 1516.

Mona Lisa ou Mon Salai
São João Batista, de Leonardo da Vinci. Museu do Louvre

Um dia talvez venhamos saber o motivo, mas com certeza, Leonardo da Vinci conseguiu com este rosto andrógino, feminino, masculino, misterioso, de beleza efêmera, de sorriso enigmático marcar a história da Arte da humanidade.

Mon Lisa ou Mon Salai?

Histórico de uma obra de valor inestimável.

Chegou na França, em 1516, quando Leonardo da Vinci foi convidado a vir morar em Amboise, no Vale do Loire, as custas do rei, Francisco I (1515-1549).

Em sua bagagem além da tela da Mona Lisa ou Mon Salai haviam outras duas obras que faziam parte da viagem para sua nova casa, Clos Lucé, em Amboise: “A Virgem e o Menino com Santa Ana” e o “São João Batista”.

A Mona Lisa esteve exposta no Castelo de Fontainebleau e no Castelo de Versalhes, somente após a revolução francesa é que foi trazida para o Museu do Louvre em 1797, e apresentada ao público em 1798.

Em 1802 foi levada para o Palácio das Tulherias e colocada por alguns meses, no quarto de Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte I°. Mas voltou ao Louvre no mesmo ano.

Durante a guerra franco-prussiana (1870-1871) ficou escondida em um porto militar da cidade de Brest.

Em 1911 foi roubada por Vincenzo Peruggia que achava que Napoleão havia roubado dos italianos. Recuperada em 1913 voltou a ser escondida em Bordeaux e Toulouse, durante a 1° guerra Mundial (1914-1918).

Em 1939, um pouco antes da ocupação alemã em Paris foi levada para o Castelo de Chambord, no Vale do Loire, ficando escondida em várias regiões, até o fim da Segunda Guerra Mundial.

De volta ao Louvre em 1945 foi exposta ao público em 1946.

Em 1956 sofreu dois atentados, um psicopata jogou acido danificando a parte inferior do quadro, e um boliviano Ugo Ungaza Villegas jogou um pedra que quebrou o vidro de segurança, cortando um pedaço da tela na altura do cotovelo esquerdo da Mona Lisa.

Fez somente duas viagens para o exterior, uma de navio, (cabine de 1° classe), chegando em 1963 para uma exposição na Galeria Nacional, de Washington, e outra no Museu Metropolitano de Arte, de Nova Iorque, EUA.

De volta para o Louvre, no mesmo ano. Saiu uma segunda vez em 1974, para o Japão, onde foi exposta no Museu Nacional de Arte Ocidental, em Tóquio. No retorno, passou rapidamente por Moscou. Voltou para o Louvre e nunca mais saiu.

Desde 2005, está exposta numa sala especial chamado Joconda, um local especialmente projetado para uma exposição pública, mais segura, e vigiada por seguranças do museu. Protegida por um vidro blindado, isolada contra variações de temperatura, umidade e vibrações exteriores.

Mesmo assim com toda essa segurança reforçada, em 2009, a Mona Lisa ainda foi atacada por uma russa que jogou uma caneca de chá, vazia, contra o vidro. E que felizmente nada sofreu.

Composição da obra:

Leonardo da Vinci mais uma vez optou por uma composição piramidal para nos mostrar sua modelo na posição 3/4 construído na escala real 1:1, bem centralizada, onde a cabeça seria o vértice do triângulo, e os braços seriam a base.

Mona Lisa ou Mon Salai
Mona Lisa 9rsetaurada), de Leonardo da Vinci. Museu do Louvre.

Apresentada com meio do corpo visível, sentada com as mãos cruzadas, seu cotovelo esquerdo está apoiado no braço da cadeira, que não se tocam na moldura do quadro. Vemos ao fundo, uma paisagem distante, e dividida em dois horizontes distintos.

Em toda a obra também foi utilizada a técnica do sfumato”, onde a perspectiva se encontra envolvida numa nuvem suave de tons claros, escuros e transparências. Dando assim uma profundidade a paisagem do fundo, em relação ao retrato pintado com cores fortes e nítida.

Mona Lisa com seu sorriso enigmático, inocente, nos parece bem tranquila e serena, mas podendo estar também, triste e magoada com algo. Sentimentos indefinidos com significados diversos. Uma dualidade que nos provoca a refletir.

Sucesso da obra:

Talvez o olhar ingênuo das pessoas, sem pré-julgamentos seja uns dos fatores para que ela seja tão famosa, pois quando chegam para vê-la já leram alguma coisa ou escutaram falar sobre a obra, e querem ver com os próprios olhos para confirmar aquilo que ouviram ou simplesmente para dizer que viram.

Muitos vão embora sem nada saber e uma grande parte decepcionados pelo tamanho da tela: 0,77 metros de altura por 0,53 metros de comprimento.

Agora tem aqueles que estudam muito antes, e chegam decididos a desvendar os mistérios que se escondem atrás dessa pintura: símbolos, expressões, e mensagens ocultas que o pintor poderia ter deixado para que o seu significado e intenções fossem reveladas.

Lembrando que cada pessoa tem uma interpretação e uma visão geral do tema, segundo sua formação, cultura, e experiências.

Mas sem dúvidas, além de tudo que foi falado, um grande fator do sucesso foi o roubo do quadro em 1911, que despertou curiosidade, paixão e uma grande aventura da Mona Lisa na Europa, onde antes a grande vedete do Louvre era a escultura da Vênus de Milo.

Leia o artigo sobre O roubo da Mona Lisa, clicando aqui.

Um perturbante olhar e um cativante sorriso:

Para todos que vierem visitar a Mona Lisa recomendo que olhe fixamente nos olhos dela, em qualquer ponto da sala, e você vai perceber que ela estará sempre te perseguindo com um olhar penetrante e um sorriso tímido misterioso querendo dizer alguma coisa ou ao contrário esconder alguma coisa. Algo que somente Leonardo da Vinci poderá responder.

E para mim, essa é a grande sacada do quadro. Ela perturba e guarda um mistério.

Mona Lisa ou Mon Salai

Atualmente Mona Lisa (ou Mon Salai) é a obra mais conhecida no mundo e a mais visitada no Museu do Louvre.

Obras inspiradas:

Mona Lisa também é a obra mais inspirada, admirada, parodiada, imitada, e homenageada por outros artistas como: Camille COROT, Marcel DUCHAMP, Fernand LÉGER, Fernando BOTTERO, Andy WARHOL… Entre outros mais.

Boa viagem na cultura e nas Artes deste imenso Museu!

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Fonte: Site do Louvre, Wikipédia e “Iconographie de la Renaissance italienne”, de Elisa Halleux (editora: Flammarion, 2004).

Fotos: Wikimedia Commons.

9 Comentários


  1. Muito bom conhecer as histórias, que muitas vezes estão abrigadas nas “entrelinhas” das obras de artistas medievais… Temos o privilégio de nos enriquecer, através dos teu vasto conhecimento sobre o Louvre, e, que nos passa com tanta boa vontade e carinho, querido Tom!!
    Gratidão, e, continue nos brindando sempre!
    Um abração, amigo!

    😘

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  2. Conheço o quadro. É divino. A explicação é perfeita e eu sempre achei que o sorriso de São João Batista, nesse quadro acina, é o mesmo da Monalisa. Obrigada Tom Pavesi.

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  3. Que mararavilha!
    E também pode ser que não haja mistério algum…Eu a acho super feminina e nem percebo essa ambiguidade, mas realmente é uma simples opinião, pois não tenho maior conhecimento sobre Arte em geral… Admiro, acho lindo, sei o quanto existe de história, valor e importância. Merci! Amei saber tudo isso!

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  4. PARABÉNS ! CONTINUE A NOS BRINDAR COM SUA CULTURA .

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  5. Tom. Como sempre nos brindando.com muitas histórias maravilhosas. Amei.

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  6. Tom, que história fantástica! Somente quem ama o tema para fazer uma pesquisa com essa profundidade histórica… isso dá um filme. Parabéns!!

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    1. Obrigado Rogério, sobre este tema ainda tem muita coisa para ser contado..
      Em breve o livro e o filme, de TOM BROWN…. Rsrsrs !

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  7. Tom querido

    Maravilhoso texto….sempre atualissimo….voce entende como ninguem
    a historia da França e seus simbolos .
    So temos a agradecer tamanha dedicação.
    Boa sorte sempre .
    abs
    Neusa

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    1. O Louvre e suas obras guardam muitos segredos que espero contar alguns neste site. Obrigado pelo seu elogioso comentário. Abs !

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