Napoleão Bonaparte, 2 imperatrizes e 60 amantes

Napoleão Bonaparte, 2 imperatrizes e 60 amantes

Tempo de leitura: 12 minutos

Napoleão Bonaparte, 2 Imperatrizes e 60 amantes é talvez um título um pouco mentiroso para alguém que disse a seguinte frase:

Je n’ai qu’une passion, qu’une maîtresse : c’est la France ! Je couche avec elle… je jure que je ne fais rien que pour la France.

Minha única paixão, minha única amante, é a França. É com ela que me deito… eu juro que não faço nada que não seja pela França.

Napoleão Bonparte I.

Napoleão, quando menino era muito tímido e introvertido, quando jovem adulto era complexado pela baixa estatura de 1,69 m (na realidade um altura mediana), e com dificuldade de se relacionar. Foi aconselhado a se curar em prostíbulos, onde acabou sendo um grande frequentador.

Logo recuperado, e com autoestima em dia partiu para compensar suas antigas frustrações, com conquistas pelo poder, guerras e romances antes impossíveis.

Além dos feitos militares, se tornou num dos maiores galanteadores que a França já conheceu. Se tivesse em competição com outros monarcas, ganharia facilmente, pois teve aproximadamente 60 amantes, deixando bem para trás, antigos recordes de notórios sedutores, como o rei Henrique IV e suas 33 amantes, Luís XIV com 16 amantes, e Luís XV com 15 amantes.

São elas as mais famosas:

1° amor – Désirée (1777-1860). 
Désirée.
Désirée.

Em 1794, Napoleão conheceu Bernardine Eugénie Désirée Clary, ou Désidéria Clary prometida para seu irmão José. Tomado por uma grande paixão pela moça, propôs ao irmão uma troca, ele ficaria com Désirée, e José com a irmã mais velha, Julie Clary.

Proposta aceita, José casou-se com Julie, 1° de agosto de 1974, e Napoleão ficou como combinado Désirée, e logo noivo, em 21 de abril de 1795.

Ainda no mesmo ano, em julho, Napoleão conheceu Josefina de Beauharnais, e outra grande paixão desponta em seu coração. Termina então seu romance com Désirée, em 6 de setembro de 1795, e se casa com Josefina, no civil, em 9 março de 1796.

O destino de Désirée é um verdadeiro conto de fadas, pois conheceu o francês, Jean-Baptiste Bernadotte, brilhante soldado do exercito francês, que de mero sargento chegou rapidamente a general. Casando com ele no dia 17 de agosto de 1798.

Em 1810, depois de algumas batalhas ganhas e outras perdidas foi indicado como candidato francês para ser o príncipe herdeiro da Suécia, pois o rei Carlos XIII procurava um filho adotivo. Com um forte apoio de Napoleão que tinha planos para recuperar a Finlândia (pois a Rússia havia tomado em 1809).

Nas eleições indiretas deste país, surpreendentemente venceu. Durante cinco anos, Désirée agora morando entre Estocolmo e Paris, se tornou uma boa espiã para os planos de conquistas de Napoleão e de seu marido, destes países do norte da Europa.

Após a queda do imperador Napoleão Bonaparte, e já no reinado de Luís XVIII ela foi amante do ministro, Armand-Emmanuel du Plessis de Richelieu.

Em 1818, após a morte de Carlos XIII, Jean-Baptiste Bernadotte seu marido tornou-se rei da Suécia e da Noruega, com o nome de Carlos XIV João (Jean).

Em 21 de Agosto de 1829, (oito anos depois da morte de Napoleão), Désirée, ou Désidéria como era chamada na Suécia, foi proclamada rainha destes dois países, em 21 de Agosto de 1829.

Em 1844, com a morte de seu marido, o seu único filho, tornou-se Oscar 1°, rei da Suécia e Noruega. Morreu em 1860, aos 83 anos, talvez de tristeza e velhice pela perca de seu filho Oscar, em 1859. Deixou cinco netos, sendo que dois se tornaram reis, Carlos XV e Oscar II.

1° esposa – Josefina de Beauharnais (1763 – 1814).
Josefina de Beauharnais.
Josefina de Beauharnais.

Infiel a Napoleão, (e ele a ela), impedida de ter filhos, propõe o casamento da sua filha Hortênsia, (filha do seu 1° casamento com Alexandre de Beauharnais), com o jovem irmão, Luís Bonaparte, e que o filho deste casamento pudesse ser adotado por Napoleão, para ser o herdeiro do trono imperial. Mas Luís, depois que nasceu seu 1° filho, Napoleão Carlos Bonaparte, desistiu desta proposta, obrigando Napoleão procurar outra solução.

Napoleão indignando pelas infidelidades de Josefina, e pensando ser estéril, tem um caso com a dama de companhia da sua irmã, Carolina Murat, chamada Catherine Éléonore Denuelle de la Plaigne, que lhe dará seu 1° filho, em 1806, o conde Carlos Léon.

Mas Napoleão traído ao saber que Éleonore também “ficou” com o marido de Carolina, o general Joaquim Murat, nunca mais quis vê-la, após deixar uma boa pensão. Eleonora, ainda assim casou-se varias vezes, e morreu ao 80 anos, em 30 de janeiro de 1868.

Com a polonesa, Marie Walewska teve um segundo filho, em maio de 1810, chamado Alexandre-Florian-Joseph Colonna Walewski, ou conte Walewska, aquele mesmo que foi presidente do júri para escolher o projeto ganhador da construção da Ópera de Paris, cujo ganhador foi Charles Garnier. E foi ele quem colocou a 1° pedra no local marcando o inicio da construção em 21 de julho de 1862, em Paris. Marie Walewska morreu em 11 de dezembro de 1817, aos 31 anos, fiel e apaixonada pelo imperador.

Napoleão procurando deixar um herdeiro, já separado de Josefina no civil desde dezembro de 1809 consegue em janeiro de 1810, autorização da igreja, para anulação do religioso.

Josefina, com uma boa pensão foi morar no Castelo de Malmaison (hoje museu), que havia adquirido em 1799, na atual cidade Rueil-Malmaison, próximo a Paris.

Morreu de pneumonia, em 29 de maio de 1814, sete anos antes de Napoleão.

Descendentes de Josefina de Beuaharnais:
  • Eugênio de Beauharnais foi o pai de Amélia Augusta Eugênia Napoleona, segunda esposa de Dom Pedro 1°, se tornando imperatriz Amélia do BrasilEugênio após casar com a princesa da Baviera, Augusta-Amélia, deixou vários descendentes que foram reis e soberanos na Noruega, Dinamarca, Bélgica, Luxemburgo, Portugal e Grécia.
  • Hortênsia (lembra? Aquela que foi casada com Luís, irmão de Napoleão), por ironia do destino foi mãe de Carlos Luís Napoleão (3° filho do casal), e 1° Presidente da França, (1848-1852), e o segundo imperador da França, conhecido como Napoleão III (1852-1870). E sua filha adotiva, Estefânia de Beauharnais, foi avó do rei Carol 1°, Rei da Romênia.

Finalizando essa bagunça, Josefina deixou uma grande descendência de soberanos pela Europa.

2° esposa – Maria Luísa da Áustria (1791 – 1847).
Napoleão Bonaparte - 2 imperatrizes e 60 amantes
Maria Luísa da Áustria.

Napoleão Bonaparte, livre, casa oficialmente, em 11 de março de 1810, com Maria Luísa da da França ou Maria Luísa de Áustria, irmã de Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro 1° do Brasil, ou Pedro IV de Portugal.

Uma esposa discreta, caseira, devota, obediente dedicada, totalmente ao contrário do estilo de Josefina. Consegue rapidamente ficar gravida, dando a luz, no dia 20 de março de 1811 um herdeiro para França, Napoléon François Charles Joseph Bonaparte, ou simplesmente Napoleão II, rei de Roma.

Após Napoleão I° perder a guerra para os Russos, em 1814, e ter sido obrigado a se exilar na ilha de Elba, na Itália, Maria Luíza fugindo das perseguições dos monarquistas, que se instalaram no poder com a subida ao trono do rei Luís XVIII, (irmão de Luís XVI, sobrevivente da guilhotina), foge com seu filho para corte de Viena, para se encontrar com o seu pai, o imperador da Áustria, Francisco 1°.

Chegando muito febril e precisando de descanso, seu pai lhe envia se repousar numa estação termal, acompanhado pelo general austríaco Adam Albert de Neipperg.

O propósito do pai na verdade era afastá-la definitivamente de Napoleão, que ainda se encontrava na ilha de Elba esperando por sua vinda. O general seguindo ordens cumpriu bem sua missão, seduziu-a com seu charme, até conquistá-la definitivamente.

E ela bem apaixonada do seu general, com medo de represálias dos franceses, e principalmente pela traição ao seu Napoleão, mesmo sabendo que depois de cem dias ele havia fugido da ilha, e retornado para Paris, continuou vivendo na Áustria, com a proteção do seu amante, e do seu pai, Francisco.

Napoleão sem muito tempo para resolver esse “probleminha” partiu em junho de 1815, guerrear contra a coligação anglo-prussiana, em Warteloo, na Bélgica. Com mais essa derrota foi obrigado a partir para o exílio, na ilha de Santa Helena, onde morreu em 5 de maio de 1821, aos 51 anos, sem nunca mais ter visto sua esposa e filho.

Em 8 de agosto de 1821, quatro meses depois da morte de Napoleão, Maria Luíza se casa finalmente com Adam Albert, conde de Neipperg, e ele se torna duquesa de Parma, (Itália), onde passa a morar com seu novo marido.

Maria Luísa, com a morte de Adam, em 1829, viúva pela segunda vez, e livre para um novo casamento, em 17 de fevereiro de 1834, casa com o militar francês, capitão na Áustria, Charles-René de Bombelles que se torna, Ministro da Defesa da Áustria.

Maria Luísa, morreu em Parma, por infecção nas pleuras, (pleurisia), no dia 17 de dezembro de 1847, aos 56 anos.

Descendentes de Maria Luísa de Áustria:
  • Napoleão II (1811 – 1832), duque de Reichstadt. Único filho que teve com Napoleão Bonaparte I°.
  • Albertina (1817 – 1867), condessa de Montenuovo, filha com Adam Albert de Neipperg.
  • Guillaume Albert (1819 – 1895), conde e príncipe de Montenuovo, filho com Adam Albert de Neipperg.
  • E dois outros, Mathilde e Gustavo, falecidos na pequena infância.

Entre tantas, as mais conhecidas amantes de Napoleão são:

Zeinab – Amante durante a campanha do Egito, de apenas de 16 anos, filha de um xeique, chamado Khalil-El-Bakri. O que sabe sobre eles, é que o pai a jogou nos braços do imperador, em troca de alguns favores políticos, militares ou financeiros

Pauline Fourès (1778-1869). Conhecida como Belliote foi amante de Napoleão 1° também durante a mesma campanha no Egito, (1798-1799). Foi amante também do general, Jean-Baptiste Kléber. Casou-se com um capitão da guarda, Jean Baptiste Bellard, e fizeram fortuna no Brasil. Voltou a morar em Paris, em 1839. Foi musicista, pintora e escritora. Teve um final de vida feliz e bem e na paz. Morreu em 18 de março de 1869, com bastante idade (para época), aos 91 anos.

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Pauline Fourès.

Marguerite -Josphine Weimer (1787 -1867), ou Mademoiselle George. Atriz dramática francesa foi amante de Napoleão 1°, do seu irmão, Luciano Bonaparte e do Tzar da Rússia, Alexandre 1°. Napoleão a chamava de “Georgina”, por causa da sua influência com o imperador. Morreu em Paris, sem filhos, em 11 de janeiro de 1867, aos 79 anos.

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Marguerite -Josphine Weimer

Catherine-Joséphine Duchesnois (1777 – 1835). Atriz dramática francesa, bem conhecida de Paris, rival de Mademoiselle George, pois disputavam a mesma cama de Napoleão. Após um breve relacionamento, e também por ter sido uma das preferidas do imperador, tornou-se sócia do Teatro “la Comédie Française”. Morreu em 8 de fevereiro de 1835, aos 57 anos.

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Catherine-Joséphine Duchesnois. 

Marie-Antoinette Adèle Papin-Duchâtel (1782 – 1860). Dama da corte, de Josefina, relacionamento sem filhos, apesar de dado o nome ao seu 2° filho de “Napoléon Joseph Léon Duchâtel”, (1804-1884). Esteva presente o castelo de Malmaison, no dia da despedida, de Napoleão para ilha de Santa Helena, 29 de junho de 1815. Morreu em 20 de maio de 1860 em Paris, aos 78 anos.

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Catherine-Joséphine Duchesnois.

Giuseppina Grassini (1173 – 1850). Cantora de Ópera Italiana, amante de Napoleão em 1806 recebeu o titulo de “1° Cantora de sua Majestade Imperial”. Mas surpreendentemente tornou-se amante do marechal inglês, Wellington, que venceu Napoleão na Batalha de Warteloo, quando este foi Embaixador em Paris. Ela morreu em Milão, no dia 3 de janeiro de 1850, aos 76 anos.

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Giuseppina Grassini .

Auguste Charlotte, condessa de Kielmannsegge (1777-1863). Espiã na Alemanha teve importante papel ao desvendar tramas contra Napoleão. Morreu em Dresde, na Alemanha, aos 86 anos.

Napoleão Bonaparte - 2 imperatrizes e 60 amantes
Auguste Charlotte.

Albine de Montholon (1779 -1848). Esposa do marques Charles-Tristan de Montholon, marechal de campo que acompanhou Napoleão no exílio, em Santa Helena. Durante este período na ilha, ela foi amante do imperador, do almirante inglês Cockburn, e do tenente Basil Jackson. Divorciada, morreu em Montpellier em 1848 aos 69 anos.

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Albine de Montholon.

Louise Charlotte RIGAUD de VAUDREUIL (1770-1831), dama da corte de Josefina, amante de Napoleão. Morreu aos 61 anos.

Louise Charlotte RIGAUD de VAUDREUIL.

Carlotta Gazzani (1789-1827).

Carlotta Gazzani .

E outras 48 mulheres…

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4 Comentários


  1. Acabei de ler seu artigo sobre a coroação de Napoleão/Josefina e gostei bastante. Interessante é que já havia visto o quadro algumas vezes e não tinha visto esses detalhes que você mencionou em seu texto. Amei 👏👏👏👏👏
    E depois as mulheres e amantes de Napoleão. Preciso voltar mais vezes a Paris e fazer visitas Guiadas ao Louvre. Obrigada pela aula.

    Responder

    1. Obrigado Carmen pelo simpático comentário!
      Será um grande prazer guiá-la pelo imenso Museu do Louvre. Muitas outras histórias te aguardam!
      Abraços e até breve então!
      Tom Pavesi.

      Responder

  2. Tom boa tarde
    acabei de ler seu lindo artigo sobre Napoleao e suas mulheres affe que folego nao ??
    Adorei como sempre nesta terça de carnaval foi uma boa companhia
    Obrigada
    abs Neusa Marques

    Responder

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