Paris Janelas da História

Paris Janelas da História

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O Livro: “Paris Fenêtres sur l’Histoire” (“Paris Janelas da História”), do autor Julien Knez, diretor de arte reuniu 80 fotos de uma Paris antiga, sobrepondo a 80 fotos de uma Paris contemporânea captadas nos mesmos locais.

Paris. Fenêtres sur l’Histoire, de Julien Knez. Editora Parigramme.

Fotografias que datam de 1871 a 1968, registradas em locais que tiveram algum acontecimento histórico ou que simplesmente apresenta o cotidiano da população na capital.

Provavelmente você que já conhece Paris, já dever ter parado pelo menos uma vez, num banco de praça, de rua ou num café, e se perguntado como aquele charmoso lugar poderia ter sido numa outra época.

É de se notar que muitos vestígios apesar de Paris ter passado por vários acontecimentos como revoluções populares, revoltas trabalhistas estudantis guerras e enchentes, muitos desse locais históricos foram preservados e restaurados, o que nos faz pensar nessa questão.

Julien Knez, nos abre portanto uma janela para o passado, permitindo de sermos teletransportados para esse mundo de eventos históricos de Paris e que hoje fazem parte da nossa realidade atual e de suas transformações urbanas e arquitetônicas.

Praça Vendôme (1871).

Vendôme. Fotos: Julien Knez, BHVP e Roger-Viollet.

Pose dos “Communards” responsáveis ​​pela defesa da barricada na rue de Castiglione durante a Comuna de Paris.

A Comuna foi uma forma de governo temporário entre 18 de março e 28 de maio de 1871, controlado pelas classes populares da França e membros da Guarda Nacional, contra o 2° presidente da França, Adolphe Thiers (1871-1873) e membros da Assembleia Nacional, que numa votação política, sem a participação do povo, entregaram a região da Alsácia e a Lorena, para Prússia.

O fim desse governo de trabalhadores foi trágico, terminando com a “Semana Sangrenta” entre 21 e 28 de maio de 1871, onde as tropas de Thiers executaram por volta de 20.000 pessoas, que somando com as baixas em combate, esse número pode ter chegado a 80.000 mortos. Mais de 40.000 pessoas presas, muitos torturadas e executadas sem qualquer provas de que fossem membros da Comuna. Milhares fugiram para o exterior.

Rue du Faubourg du Temple (1871).

Rue du Faubourg du Temple. Fotos: Julien Knets e Adolphe Eugène Disdéri.

Na entrada da rua do “Faubourg du Temple”, essa foto nos mostra uma das últimas barricadas dos federados (“communards“) a cair em 28 de maio de 1871, durante a Comuna de Paris.

Nesse dia trágico os insurgentes ficaram cercados pelas tropas do presidente Adolphe Thiers, onde acabaram empurrados de volta ao estreito quadrilátero formado pelas ruas de Faubourg du Temple, Saint-Maur, Oberkampf e Boulevard de Belleville. Resultando na derrota e morte de vários homens e o fim do Governo provisório Operário.

Jardim de Luxemburgo (1895).

Jardim de Luxemburgo. Fotos: Julien Knez, Ernest Roger e Roger-Viollet.

Uma foto muito rara, pois essas mulheres elegantes no Jardim de Luxemburgo estão na vanguarda da moda, pois apresentam seus modelos em público, fora de um circuito fechado e frequentado pela alta sociedade. A estilista Coco Chanel (1883-1971) tornará a fotografia de moda feminina alguns anos depois.

Torre Eiffel (1900).

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Torre Eiffel. Fotos: Julian Knez e Franck Raux.

A foto da Torre Eiffel (preto e branco) foi tirada na época da Exposição Universal de 1900, ao fundo o Palácio da Eletricidade e à direita, a roda gigante na Avenue de Suffren, (ambas demolidas).

Praça da Ópera (1900).

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Praça da Ópera. Fotos: Julien Knez, Léon, Lévy e Roger Viollet.

Praça da Ópera em 1900, situada em frente Ópera Garnier. Nota-se que naquela época ainda não haviam as duas entradas da futura estação de metrô Ópera.

Quai de Conti (1900).

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uai de Conti. Fotos: Julien Knez, Neurdein e Roger-Viollet.

Bouquinistas” ou livreiros de revistas e livros antigos ou novos, no Quai de Conti, em frente ao Instituto de France e seu conjunto de Academias: de Letras, de Belas-Artes, de Ciências, de Ciências Morais e Políticas, e “des Inscriptions et Belles-Lettres“.

Moulin Rouge (1900).

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Moulin Roge. Fotos: Julien Knez, Keystone-France.

O Moulin Rouge, visto da Praça Blanche, em 1900. Cabaré de dança e música, inaugurado em 1889, com a Exposição Universal de 1900, foi um dos lugares mais badalado e frequentado da época, atraindo pessoas de várias partes do mundo (até hoje é assim). Entre várias atrações, o famoso Cancã (Cancan) foi destaque as bailarinas como “La Goulue”, “Nini pattes en l’air” (Nini pernas para alto), Grille d’égout (Grelha de esgoto) ou la Môme fromage (A Menina queijo).

Avenida de Fridland (1909).

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Avenida de Friedland. Fotos: Julien Knez, Maurice-Louis Branger e Roger-Viollet.

Em 1909, os bondes de dois andares (“tramways”) que transitavam pela Avenida de Friedland, deixavam seus passageiros a poucos metros do Arco do Triunfo.

Boulevard Saint-Denis (1910).

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Boulevard Saint-Denis. Fotos: Julien Knez, Neurdein e Roger-Viollet.

Arco do Triunfo da Porta Saint-Denis, no Boulevard Saint Denis, em 1910.

Metrô Odéon (1910).

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Metrô estação Odeon. Foto: Julien Knez e Roger-Viollet.

Funcionários numa barca, inspecionam os estragos na linha de metrô Odéon, causada pela grande enchente do rio Sena, em 28 de janeiro de 1910.

Quai des Grands-Augustins (1910).

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Quai des Grands-Augustins. Foto atual: Julien Knez e coleção particular.

Quai des Grands-Augustins inundado pela grande enchente do rio Sena em 28 de janeiro de 1910. Barcos navegam pelas ruas cobertas de água, para ajudar pessoas isoladas em seus apartamentos.

Boulevard Haussmann(1930).

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Boulevard Haussmann. Fotos: Julien Knez e Keystone-France.

Boulevard Haussmann, em 1930, na altura da loja de departamentos do “Printemps”.

Quai d’Orléans (1930).

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Quai d’Orléans. Foto: Julien Knez e “Photothèque des Jeunes Parisiens”.

Lavagem de roupas e crianças tomando banho no rio Sena, em 1930, na altura do Quai d’Orléans, na Ilha de Saint-Louis. Ao fundo, à esquerda vemos as suas torres e a flecha da Catedral de Notre-Dame de Paris, e à direita a Ponte Saint-Louis, em duas versões, em preto em branco destruída em 1939, e a atual ponte, inaugurada em 1970.

Nadar no rio Sena foi proibido em 1923, mas a prática continuou até a década de 1950. Apesar das promessas do governo que iriam melhorar a qualidade da água, (como é o caso atualmente), muitos que se banhavam ou lavavam suas roupas no rio corriam o risco de multas e de contaminação.

Ópera de Paris/Garnier (1930).

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Ópera de Paris. Fotos: Julien Knez e Suddeutsche Zeitung.

Um dia depois dos representantes do governo francês assinar o armistício em 22 de junho de 1940, aceitando as regras da ocupação pela Alemanha nazista, Adolfo Hitler (1889-1945) fez uma rápida visita de duas horas a Paris.

Entre 6h e 8h da manhã, o “Führer” fez um verdadeiro City-Tour pela capital, passando por vários pontos turístico: Ópera de Paris (ou Ópera Garnier), Catedral de Notre-Dame, Museu do Louvre, Inválidos, Arco do Triunfo, Esplanada do Trocadero…. E outros.

Av. do General Eisenhower (1944).

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Avenida do General Eisenhower. Fotos: Julien Knez e Keystone-France.

Enquanto Paris é libertada da ocupação nazista, entre 19 a 25 de agosto de 1944, uma arma artilharia antiaérea se encontra instalada na Avenida do General Eisenhower, em frente ao Grand Palais.

Praça do Hotel de Ville (1944).

Praça do Hotel de Ville. Fotos: Julien Knez e Albert Séeberger.

Em 25 de agosto de 1944, dois combatentes franceses, se encontram na Praça do Hotel de Ville (Prefeitura da cidade) para festejarem a liberação de Paris que se encontrava ocupada desde 22 de junho de 1940, pelo tropas da Alemanha nazista.

Rua de Ménilmoltant (1956).

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Rue de Ménilmoltant. Fotos: Julien Knez, Films Montsouris.

Foto da cena do filme “O Balão vermelho” (“Le Balon rouge”) realizado em 1956, pelo produtor de cinema, Albert Lamorisse (1922-1970). O menino Pascal espera o ônibus na altura do n° 121 Rue de Ménilmontant, em frente ao Pavilhão “Carré de Baudoin“, convertido em 2003, num espaço de exposições nacionais e internacionais.

Rua Gay-Lussac em maio (1968).

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Rue Gay-Lussac. Fotos: Julien Knez, Fundação Gilles Caron, Gamma-Rapho.

Durante o mês de maio de 1968 ocorreram manifestações estudantis e de trabalhadores em geral, contra o governo conservador de Charles de Gaulle (1959-1969) e os diversos problemas sociais e econômicos que o país enfrentava naquela momento.

Na noite do 10 e 11 de maio de 1968, por volta de 20.000 estudantes (12000 segundo a polícia) montaram barricadas pelas ruas no entorno da Universidade Sorbonne, no Quartier Latin.

Entre 2h e 5 da manhã, os violentos confrontos entre os dois lados, estudantes e a Polícia Nacional (CRS), deixaram as ruas parecendo um verdadeiro campo de batalha, carros destruídos, virados, queimados, estudantes presos e tantos outros feridos e 4 mortos.

A foto da rua Gay-Lussac revela um pouco o resultado desse combate entre Davi (estudantes, armados com pavimentos da rua e o que encontravam no local) contra Golias (e suas bombas de gás lacrimogênio, cassetetes e outros instrumentos de combate).

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