Paris – uma inexplicável história de amor

Paris – uma inexplicável história de amor

Tempo de leitura: 4 minutos

Paris – uma inexplicável história de amor

Recebo todos os dias, relatos, depoimentos e histórias sobre as experiências de pessoas em suas viagens à Paris. Histórias boas e outras nem tanto, que fazem parte de qualquer roteiro turístico ao redor do mundo. Mas quando se trata de Paris, percebo que esses depoimentos vem sempre carregados de emoção e nostalgia.

O que será que a Cidade-Luz tem que causa esse efeito quase mágico nas pessoas? Talvez seja pela história que ali foi escrita, por suas igrejas, pelos museus, pelos artistas que ali viveram, pelos filmes, pelos bairros inexplicavelmente charmosos… sei lá… Nunca saberemos.

O fato é que hoje recebi esta linda história de amor por Paris e resolvi compartilhar aqui. Pelas palavras, percebe-se que é algo que vem do fundo do coração de uma pessoa que mesmo estando no Brasil, vivencia Paris como poucos. Regina Auache fundou dois dos principais grupos de discussão no Facebook sobre Paris: O “Eu Amo Paris e a França” e o “Pessoas Apaixonadas por Paris – PAP. Abaixo, seu belo relato:

Rogério Moreira –  “Paris Sempre Paris“.

A minha Paris

Texto: Regina Auache

Muitas pessoas me perguntam o que é esse Amor por uma cidade a ponto de criar dois grupos e viver intensamente a viagem do outro como se fosse sua viagem. Cada ser humano tem sua subjetividade e um olhar diferente para determinadas situações.

O meu relacionamento com Paris vem de longe. Nasceu comigo, posso assim dizer.

Meus vizinhos eram franceses e médicos, e pelas mãos da Mabel e do Jean, eu vim ao mundo.
Cresci frequentando a casa deles, brincava com seus filhos a Denise e o George. Assim, vivenciei a cultura francesa. Me acostumei com os cheiros e sabores das comidas, alguns eu não apreciava.

Os perfumes dos sabonetes de lavanda da Mabel me transportavam…lavandas? Onde cresciam e como eram? me perguntava…O Chanel 5 também, cedo já conheci.
Não era uma época fácil de obter informações. Onde exatamente era a França da Mabel?
Eu era tão pequena e nada sabia.

Perguntei ao meu pai onde era a França. Ele me comprou um atlas.
Também sabia de um fantasma da Ópera e do corcunda da Notre Dame, coisas do imaginário de uma criança. Mas nem estava na escola ainda. Mas uma coisa era certa. Eu um dia iria para à França.

Éramos pobres, mas algumas pessoas da família viajavam e eu dizia sempre que também iria. Minha mãe me achava sonhadora demais. Convivi com aquela família até os 12 anos. Uma tragédia aconteceu e somente ficou uma filha que foi embora para a França.

Mas o amor por um lugar que não conhecia era real e foi crescendo.

Fui estudar em um colégio de freiras – Nossa Senhora de Lourdes, e lá existe uma gruta. Eu rezava e prometia que um dia, iria a Lourdes.

O tempo passou, viajei a trabalho para os EUA e Canadá, mas nada tinha o brilho de um lugar que não conhecia.

Aos 29 anos dei de presente ao meu ex-marido uma passagem para Paris, marcada para um ano depois. Começamos a economizar. Nossa surpresa porém, veio em seguida. Estava grávida, e a passagem não permitia remarcar nem reembolso.

Meu pai disse: nós tomamos conta do (a) nosso (a) neto (a). Vá realizar seu sonho de conhecer a “sua Paris”!

Eu trabalhava com turismo e a Air France estava demorando para emitir minha passagem e mandavam eu ter calma. Qual não foi minha surpresa quando recebi minha passagem e fui ver o valor para fazer o cheque e estava escrito no lugar do valor: tkt free! Com um bilhete escrito: “Boa viagem, com os cumprimentos da AF”.

Nós fomos. Eu fui conferir de pertinho todos aqueles cheiros e sabores da França.
Não vi os fantasmas. Mas ouvi os músicos tocando acordeon, como meu tio tocava as músicas francesas para mim.

Ah minha Paris…do metrô, dos cafés, dos fumantes, dos caminhos nos quais me perco e finjo saber onde estou. Paris cenário de filmes, inspiração para os poetas, pintores, escultores e amantes… Da Torre, nem falo. Dispensa apresentações.

Paris tem luz própria. Não precisa tentar se igualar a lugar algum.
É minha, é sua, é nossa!

Mas porque escrevi tudo isto ?

Porque vejo algumas pessoas comentando que é um sonho distante ou impossível.
Não é! Estabeleça prioridades.

E quanto aos grupos, criei para compartilhar o meu sonho e para que todos possam também fazer o mesmo.

Obrigada a você que leu…

Quero dedicar este texto a todos dos dois grupos que acreditaram no meu sonho e compartilham lá seus momentos.
Dedico em especial aos meus filhos Kalil e Lucas.
À minha querida Selva Lucia Cesar que por muito tempo acreditei ser a Santa Geneviève.
Ao amigo Tom Pavesi com quem aprendo muito.
Ao Rogério Moreira, editor do blog Paris Sempre Paris – PSP.
Ao Roberto Corrêa Gomes.
À Helena Lacerda

Regina Auache

6 Comentários


  1. Regina, sua história é um pouco parecida com a minha.
    Também sou de família lutadora e igual a você sempre fui sonhadora, sem esquecer da realidade.
    Não tive vizinhos franceses, tive uma professora francesa no colégio onde estudei o ginásio, colégio pago por meu avô materno. Essa professora me disse um dia: ” Você é francesa”. Perguntei porque ela estava dizendo aquilo e ela simplesmente sorriu. Anos depois fui entender as palavras dessa professora. Conheço a França através dos meus sonhos, dos livros que leio e dos filmes que assisto. Por ser espírita, sei que já vivi na França em várias encarnações que já tive. Isso explica claramente meu amor por esse país, sua história, sua cultura e a facilidade que sempre tive com a língua. No fundo, acho que ainda vou realizar esse sonho.
    Sua história é linda.
    Eu me sinto privilegiada em fazer parte dos grupos que você e outros administram.

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  2. Boa noite Regina. Gostei muito de ler o seu relato. É de fato inspirador. Dá para sentir a magia de Paris em suas palavras. Continue acreditando em seus sonhos. Beijos no coração.

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  3. Regina,minha história com Paris também começou há muito tempo. Aos 11 anos entrei no curso ginasial lá no interior de São Paulo onde as aulas. De francês eram dadas pelo extraordinário Prof Aumond que era belga valon .Ele nos incentivava a escrever para a embaixada francesa pedindo material sobre Paris e a França . Eu tinha então uma porção de mapas que eu ficava estudando em detalhes. Mas naquela época ninguém viajava como hoje. O tempo passou, eu me formei , casei, vieram meus filhos, que cresceram e se formaram . Foi quando completei 60 anos que ganhei de aniversário minha primeira passagem para Paris e lá fomos eu e a minha mulher. Não preciso dizer que a emoção foi enorme ao ir identificando tudo que eu apenas imaginava. E já fui 14 vezes pra lá e se Deus me der saúde pretendo ir mais umas vezes, pois o encanto continuou. Parabéns pelo seu grupo é um abraço , Munir

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    1. Oi Munir. Obrigada pela sua história.
      Muito emocionante.
      O que seria de nossas vidas sem os sonhos?
      E que maravilha ter ido várias vezes não? A cada viagem “apuramos” mais nosso olhar e aprendemos mais.
      Obrigada de ❤️ pela sua contribuição.
      E que você possa continuar indo mais vezes.
      Abraços

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  4. Sua história é simplesmente linda! Merece cada detalhe ali contido. Parabéns Paris por receber tão ilustre pessoa.
    Parabéns Regina por conquistar teu sonho.
    Você inspira a conquistar o meu.🌷

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    1. Obrigada Vera. A primeira viagem realmente marcou minha vida.
      E a cada outra fui amando mais e mais Paris. E quis passar isso para as pessoas, principalmente para aquelas que pensam ser impossível.
      Grata pelo retorno. Abraços ❤️

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