Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama

Tempo de leitura: 11 minutos

Desta vez vou falar sobre a ponte mais linda de Paris, e talvez uma das mais belas do mundo, a Ponte Alexandre III e suas esculturas exuberantes .

Lugar preferido dos casais românticos em busca de um lindo pôr do sol, dos fotógrafos amadores e profissionais que retratam a paisagem glamorosa da cidade, dos turistas que caminham sem destino, dos noivos, dos cineastas que filmam a vida que passa, e muito outros que amam essa cidade.

Muitos atravessam por ela, olham, mas não reparam nos belíssimos detalhes das esculturas e nos ornamentos decorativos da ponte. 

Agora com esse artigo, quando for passar de novo ou pela 1° vez, seu olhar vai ser diferente, eu garanto para você.

Ponte Alexandre III.

A Ponte Alexandre III foi construída no coração de Paris. Considerada a mais linda de Paris e talvez como uma das mais belas do mundo. É toda decorada com crianças sorridentes, estátuas de mulheres de pedra, 32 candelabros de bronze, ninfas, cupidos, leões de pedra, e quatro grandes esculturas de bronze dourado, alegorias da fama. representados por quatro mulheres alada domando o cavalo Pégaso, no alto de quatro pilares, nas duas margens do rio Sena.

A Ponte Alexandre III faz uma importante ligação entre a margem direita, (lado do Grand Palais / Petit Palais / Champs-Élysées), com a margem esquerda, (lado da Esplanada dos Inválidos / Torre Eiffel).

Duas estátuas Renomadas do lado da Esplanada dos Inválidos.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Renommée du Combat” e ” Renommée de la Guerre” (lado dos Inválidos). Foto: Alexander Johmann.

Duas estátuas Renomadas do lado do Grand Palais, Petit Palais e Champs-Élysées.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Renommée des Sciences e ” Renommée des Arts” (lado do Grand Palais). Foto: Barry Marsh.

História:

Recebeu o nome Ponte Alexandre III, como um gesto diplomático do governo francês para celebrar a aliança franco-russa assinada em 1891, entre o imperador russo, Alexandre III (1881-1894) e o presidente da França, Sadi Carnot (1887-1894).

Construída juntamente com o Grand Palais, Petit Palais e outras estruturas, para a Exposição Universal de 1900.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Exposição Universal de 1900, em Paris. Litografia (1900), de Lucien Baylac.

A construção teve início em 1896 com a colocação da 1° pedra, por três grandes personalidades: O filho de Alexandre III, o imperador da Rússia e Czar, Nicolas II (1894 – 1917), a imperatriz, Alexandra Feodorovna (1894-1917), e o presidente da França, Felix Faure (1895-1899).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Inscrição da colocação da 1° pedra da Ponte Alexandre III.

Foi inaugurada somente em 14 de abril de 1900, por um outro presidente da França, Émile Loubet (1899-1906).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Placa comemorativa da construção da Ponte. Foto: Harsh Light.

Descrição técnica:

A ponte foi construída entre 1896 e 1900, pelos arquitetos, Cassien-Bernard (1848-1926) e Gaston Cousin (1859-1901), e os engenheiros Jean Résal (1854-1919) e Amédée Alby (1862-1942).

Os trabalhos começaram no dia 30 de março de 1897 pelas escavações necessárias para dar início as fundações construídas por um moderno sistema de câmeras de ar comprimido, como utilizado nas fundações realizadas na Ponte Mirabeau (1896).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Ponte Mirabeau (1896). Foto: Pascal Poggi.

Tem 160 metros de comprimento, cerca 45 metros de largura, e 107,50 metros de vão sobre o arco de 6 metros, suficiente largo e alto para passagem de barcos pelo rio Sena.

A alvenaria foi revestida com pedras de granito dos Vosges, do leste da França, e o ferro fundido, foi substituído pelo aço, material de muita resistência e que tem a capacidade de vencer grandes vãos, com menores peças e dimensões, e com a vantagem de ser mais leve. Material utilizado pelo engenheiro Jean Resal, na construção da Pont Mirabeau, e agora na Ponte Alexandre III.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Ponte Alexandre III, Paris. Foto: George Moga.

Além do aspecto artístico e histórico da ponte, as esculturas no alto de seus pilares de 17 metros, também tem uma importância estrutural pois servem de contrapeso ao único arco, que liga as duas margens do rio Sena.

O arco é composto de uma estrutura de aço, vigas e colunas calculadas para sustentar o peso da passagem de vários e pesados veículos ao mesmo tempo.

Muito elementos da ponte foram pré-fabricados, fundidas longe de Paris, na usina Creusot, e depois levadas para serem montadas no local.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Detalhe do arco de aço da Ponte Alexandre III sobre o rio Sena, Paris. Foto: Fredpiv.

Uma ponte perfeitamente integrada na paisagem, baixa o suficiente para não obstruir a perspectiva da Esplanada dos Inválidos, para quem olha do lado da avenida dos Champs- Élysées e vice-versa, e foi concluída a tempo para Exposição Universal de 1900.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Perspectiva dos Inválidos, na Ponte Alexandre III. Foto: Thierry Duval.

Em 1998, a ponte foi completamente restaurada, mas manteve seu aspecto original.

Em 2017, a Câmara Municipal de Paris cedeu o vão sobre o pilar direito, para cinco associações culturais que organizam vários tipos de eventos: concertos, exposições, aulas de Yoga, jogos, restaurante, bar, festas …

A Decoração:

A decoração exuberante foi dirigida pelo arquiteto Cassien-Bernard (1848-1926), Gaston Cousin, (1870-1915), e o escultor decorador Abel Poulin, (1847-1901) que convidam artistas acadêmicos e não acadêmicos para trabalharem no estatuário da ponte.

Crianças (génie) com temas marinhos (peixes, conchas, algas …) decoram a base de 4 grandes candelabros da ponte.

“Les Amours”, (Cupidos), de Henri Désiré Gauquié (1858-1927).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Os Amores”, de Henri Désiré Gauquié.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Quatre génies avec des poissons et des coquillages”, de  L. Morice e A. Massoulle.

Os mais renomado escultores da França trabalharam na ornamentação da ponte: Georges Récipon, Emmanuel Frémiet, Jules Félix Coutan, Henri Désiré Gauquié, Grandzlin, Pierre Granet, Alfred Lenoir, Laurent Honoré Marqueste, André Paul Arthur Massoulle, Gustave Michel, Léopold Morice, Abel Poulin, Clément Steiner.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“L’Enfant au crabe”, de Léopold Morice (1846-1919).

Esculturas da Ponte Alexandre III:

Sobre cada um dos quatro pilares de 17 metros de altura foram criados um conjunto de quatro estátuas alegóricas, em bronze dourado, executadas por três diferentes artistas, mas com um tem comum: O cavalo alado, da mitologia grega, Pégaso sendo retido pela Fama, (em Francês: renommée), representada por uma mulher alada.

No centro, da ponte, as Ninfas do rio Sena (França) e do rio Neva (Rússia).

Esculturas de quatro mulheres de pedra nas bases dos pilares, das esculturas da Fama, representando épocas diferente da França: Moderna e Idade Média (margem direita) e Luís XIV e o Renascimento (margem esquerda).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Ponte Alexandre III, do céu. Desenho 3D: Gérard Ronzatti .

A Fama é uma divindade greco-romana alegórica temida e respeitada, personificando o caráter de reconhecimento público ou social. Ela é representada como uma mulher alada, muitas vezes com uma trombeta (o instrumento musical). Conhece os segredos dos mortais e tem o poder de divulgá-los.

As esculturas da Fama da Ponte Alexandre III, correspondem perfeitamente a esta descrição.

Estátuas da margem direita:

Fama das Ciências.

Escultura em bronze dourada de Emmanuel Frémiet (1824-1910).

Conhecida por alguns autores como a Fama da Agricultura por estar segurando com a mão direita, uma ramo de plantas.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Fama das Ciências”, de Emmanuel Frémiet. Foto: Ernest McGray Jr.

E na sua base, a escultura em pedra, “A França Moderna”, de Gustave Michel (1851-1924). Segundo outros autores é chamada de: “A França do Pacífico” ou “A França Contemporânea”.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“A França Moderna”, de Gustave Michel. Foto: J. Luc Fontaine.

Fama das Artes.

Escultura em bronze dourada de Emmanuel Frémiet (1824-1910).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Fama das Artes”, de Emmanuel Frémiet. Foto: Tammy Lo.

E na sua base, a escultura em pedra,A França da Idade Média”, de Alfred-Charles Lenoir (1850-1920) ou “A França de Carlos Magno”.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“A França da Idade Média”, de Alfred-Charles Lenoir.

Estátua da margem esquerda:

Fama da Guerra.

Escultura em bronze dourada de Léopold Steiner (1853-1899), e finalizada por Eugène Gantzlin.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Fama da Guerra”, de Léopold Steiner e Eugène Gantzlin. Foto: Tammy Lo

E na sua base, a escultura em pedra, A França sobre Luís XIV, de Laurent Marqueste (1848-1920).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“A França sobre Luís XIV”, de Laurent Marqueste. Foto: J. Luc Fontaine.

Fama do Combate.

Escultura em bronze dourada de Pierre Granet (1842-1910).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Fama do Combate”, de Pierre Granet.

E na sua base, a escultura em pedra, “A França no Renascimento”, de Jules Coutan (1848-1939).

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“A França do Renascimento” (1900), de Jules Coutan. Foto: Damien Goepfert.

As Ninfas do rio Sena (Paris) e rio Neva (Rússia):

A Ninfa, na mitologia grega são divindades do sexo feminino ligada a natureza. O nome significa, “jovem mulher em idade de casar” ou “jovem mulher virgem” ou “jovem mulher noiva”.

Ninfas da Neva com os brasões da Rússia.

O rio Neva, de 74 km, percorre o noroeste da Rússia, atravessa São Petersburgo e deságua no lago Lagoda, no golfo da Finlândia. Depois do rio Voga e o Danúbio é o 3° maior rio em volume de água da Europa. O nome do rioNeva é em homenagem ao tratado militar entre a França e a Rússia.

Escultura em cobre martelado, de George Récipon (1860-1920) que se encontra no centro da Ponte, lado oeste de Paris (ou lado Torre Eiffel).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Ninfas do Neva com os brasões da Rússia, de Georges Récipon. Foto: Lystopad.

Ninfas do Sena com os brasões de Paris.

Rio Sena, de 776 km, nasce ao norte da França, atravessa Paris e deságua no Oceano Atlântico. O nome do rioSena se encontra na ponte em homenagem ao tratado militar entre a França e a Rússia.

Escultura em cobre martelado, de George Récipon (1860-1920) que se encontra no centro da ponte, lado leste de Paris (ou lado Ilha de la Cité).

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
Ninfas do Sena com os brasões de Paris, de Georges Récipon. Foto: Ordifana75.

Os Leões conduzidos por crianças.

Margem direita.

Escultura em pedra de Georges Gardet (1863-1939), olhando para o Sena, se encontra a esquerda.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Leão sendo conduzido por uma criança”, de Georges Gardet.

Escultura em pedra de Georges Gardet (1863-1939), olhando para o Sena, se encontra a direita.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Leão sendo conduzido por uma criança”, de Georges Gardet.

Margem esquerda.

Escultura em pedra de Jules Dalou (1838-1902), olhando para o Sena, se encontra a esquerda.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Leão sendo conduzido por uma criança”, de Jules Dalou.

Escultura em pedra de Jules Dalou (1838-1902), olhando para o Sena, se encontra a direita.

Ponte Alexandre III e suas esculturas da Fama
“Leão sendo conduzido por uma criança”, de Jules Dalou.

Na frente de cada pilar há uma estátua feminina, representando uma época da história francesa. As obras na margem esquerda (o lado dos Invalides) são dedicadas nos períodos de Luís XIV e do Renascimento.

Os pilares do norte são dedicados à França moderna e aos tempos de Carlos Magno.

Estátuas

As estátuas de ouro em cima dos pilares. Cada uma das quatro esculturas é feita de bronze coberto com placas de ouro e consiste de uma senhora e um cavalo com asas. Estas esculturas representam as artes, agricultura, comércio e guerra.

Duas grandes estátuas de cobre decoram a parte central da ponte, de frente para cada lado do rio. Uma é chamada de “Ninfas d Sena” em homenagem ao rio que atravessa Paris, e a outra é a “Ninfas do Neva”, em homenagem ao rio que atravessa São Petersburgo, na Rússia.

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3 Comentários


  1. Linda historia e deslumbrantes obras de arte. Parabéns Tom pela narrariva.

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  2. Realizado um sonho, ao conhecer a Ponte Alexandre Ill. Fiquei encantada ao ver de perto tanta arte e beleza. Até agora não conheci nada igual. Pretendo ir à Paris novamente e sentir de perto toda a magia desta obra, é um dos meus objetivos.

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  3. Excelente narração sobre a Ponte Alexandre III
    Parabéns Tom Pavesi!

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