Vera Targino e seu AMOR incondicional por Paris

Vera Targino e seu AMOR incondicional por Paris

Tempo de leitura: 3 minutos

Recebi esse relato de Vera Targino, no grupo do Facebook “Segredos de Paris”, que de tão vibrante, intenso, pleno, absoluto e cheio de amor por Paris, resolvi publicá-lo aqui no site, para que assim todos aqueles que amam Paris como ela, e eu, possam compartilhar desse sentimento incondicional por uma cidade.

A primeira vez que estive em Paris, muitos anos atrás, chovia e chovia. Era aquela chuva derivada da neve derretida, que costuma cair como uma cortina silenciosa e parece congelar os ossos.

E como chove em Paris! Era meados de Janeiro e em meio a tanta água e tanto frio, munida de guarda-chuva, manteau, cachecol, gorro e botas eu parei, extasiada. Nunca tinha visto nada mais lindo em minha vida.

Já havia visitado vários países europeus, cidades muito belas. Mas algo aconteceu comigo em Paris. Até hoje pessoas dizem que sou meio maluca; que sofro de idéia fixa. Que sou “détraqué”.

E ainda outros me consideram pernóstica. Não é nada disso. Quando conheci Paris era como se eu realmente estivesse voltando para casa. Eu me encontrei, um sentimento que não consigo explicar. Ou talvez sim, em outra vida.

O que sei é que eu já vivi em Paris. Fui uma mulher do povo, que lá nasceu, cresceu, amou, adoeceu e morreu. Uma vida trivial. Mas uma vida de alguém que amava a cidade em toda a sua plenitude. Nestes vários anos, estive em Paris por 16 vezes.

Não me canso de caminhar sem rumo pelas suas ruas e vielas, seus becos e lugares escondidos; admirar sua esplêndida arquitetura, tocar as paredes históricas de seus prédios, que parecem me confidenciar seus segredos de séculos atrás; sentir o perfume que exala de suas “boulangeries”, inúmeras, e comprar pães artesanais de sabores específicos.

As “fromageries” são um caso à parte: os aromas da infinidade de queijos que lá estão não são para os fracos do estômago. E as madames cortam fatias transparentes destes queijos fragrantes para o delírio do meu paladar, jamais satisfeito.

Das perfumarias, outros aromas inebriantes invadem as calçadas. É difícil escolher qual fragrância comprar. Entro nos museus e meus olhos se encantam com as obras mais maravilhosas que humanos, tocados pelo Altíssimo, já produziram.

Percorro as livrarias do Quartier Latin, perco-me em meio aos volumes dos assuntos mais diversos, dispostos sem atenção ao ordenamento.

Ah… e vou às igrejas. Em nenhum lugar encontrei tantos templos sagrados, tão lindos, esbanjando Arte. Sento-me nas cadeiras e ouço a música que organistas invisíveis parecem dedicar a mim, somente. Estou no Paraíso.

Continuo meu caminho. Vou até o Jardin de Luxembourg, deleitar-me com o colorido das tulipas, enormes, dos mais diversos tons que já vi.

Dirijo-me ao “Panthéon”, passo pela Escola de Direito da “Sorbonne”, em direção à “rue de Mouffetard”. Em meio a tantas delícias, compro framboesas e pêssegos carnudos, doces e sumarentos.

Há tanto o que ver e fazer. Vou admirar o pôr do sol da “Pont des Arts”. Casais enamorados passeiam, concentrados uns nos outros.

Hoje à noite vou a um recital de Chopin na “Église de St. Julien le Pauvre” , mas agora estou cansada. Compro pão, queijo, iogurte de baunilha no “Monoprix” do Marais, ouvindo os sons mágicos dos sinos da Notre-Dame.

Recolho-me ao hotel, delicio-me com meu lanche e descanso para o recital da noite, memorável como sempre.

Meu coração explode de tanto amor. Estremeço. Estou em casa. Minha alma mora em Paris.

por Vera Targino.

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7 Comentários


  1. Paris produz algo inexplicável em nós…
    Monoprix… que fofo! Adoro!
    Até o metrô tem algo especial.
    Concordo com tudo.
    Parabéns pelo relato.

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  2. Prezada Vera …
    Brilhante o seu Relato !!!
    Faço de suas palavras as minhas , e de suas emoções em Paris um eco de todas as pessoas que amam essa terra mágica !!!
    Respiro a história em cada esquina ..
    Temos que voltar a PARIS 100 vezes e não sera suficiente !!! Continue falando sobre ela ,com sua narrativa cheia de entusiasmo e amor !!! Obrigado

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    1. Grata pelo elogio, Thelma. Somos todos ligados neste amor inexplicável e, ao mesmo tempo, estranhamente alegre e doloroso. A cada chegada a Paris sentimos o coração explodir de felicidade; voltar ao nosso país um tormento curioso, como se fossemos entrar em um endereço desconhecido. Paris produz estas sensações díspares naqueles que a amam de verdade.

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  3. Sei bem do que ela está falando !!!
    Paris é interminável e para sempre !!!

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