O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre

O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre

Tempo de leitura: 8 minutos

O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre.

O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre começa às 7 horas, de uma terça-feira, em 22 de agosto de 1911, na hora onde Poupardin, guarda de segurança do museu começou sua ronda habitual pelas inúmeras salas do Louvre.

Chegando ao famoso “Salon Carré”, conhecido na época pelos quadros de renascentistas, de pequenos formatos, aos gigantescos quadros como; “Les Noces de Cana”, e “Le Repas chez Simon”, de Véronèse, (hoje expostos no sala Gioconda, do Louvre, e no castelo de Versalhes) percebeu que entre eles; “L’Allégorie d’Alfonso d’Avalos”, de Titien e “Le mariage mystique de sainte Catherine devant saint Sébastien”, de Corrège encontrava-se um espaço vazio e quatro parafusos perdidos.

Sabendo que o quadro da Mona Lisa deveria estar ali, pensou que o fotógrafo oficial do Louvre, Braun havia retirado para ser fotografado no atelier do museu, como fazia frequentemente com outras pinturas.

Não dando muita importância, continuo seu caminho tranquilamente esperando que o quadro voltasse ao seu lugar antes da abertura do museu.

Nesta época, o museu do Louvre, abria as terças-feiras ao público, ( hoje, é sempre fechado). Muitos artistas, pintores e copistas, que tinham uma autorização para trabalhar pelos interiores, chegavam cedo antes da abertura oficial, para se instalarem em bons lugares.

Um deles, o pintor Louis Béroud (1852-1930) chegou pela enésima vez, com seu cavalete e palhetas para pintar no “Salon Carré”, e se surpreendeu com a falta da bela florentina, perguntando ao seu amigo guarda de segurança, Poupardin, onde estava a Mona Lisa: este respondeu que talvez estivesse no atelier de fotografia, e que não se preocupasse, pois logo voltaria antes da abertura do museu ao público.

Algum tempo depois, Poupardin resolveu enviar colegas para recuperar a obra no atelier, e como não estava lá, foi neste momento que saíram desesperados a procura da moça do sorriso misterioso.

Chegada da Polícia

Às 14 h, o prefeito de Polícia de Paris, o famoso e popular Louis Lepine é chamado às pressas, enviando imediatamente sessenta inspetores de polícia e um renomado criminalista chamado Hamard, em busca de pistas.

Às 14h45, as portas do museu são fechadas com exceção de uma porta, que ficou para filtrar a saída de todos. O motivo dado ao público foi um problema de canalização de água. Em Paris, a população ainda não sabia de nada sobre o roubo.

O museu é todo vasculhado, do subsolo ao telhado, até que, bem embaixo da escada da “Vitória de Samotrácia”, finalmente uma pista foi encontrada próxima a uma das várias saídas do Louvre (pátio Visconti); a valiosa moldura de madeira renascentista, e o vidro de proteção (novidade na época contra vandalismo), e uma impressão digital, bem visível.

Como neste dia, 257 funcionários estavam de serviço, todos foram interrogados e tiveram suas impressões analisadas, mas ninguém foi acusado. Um trabalho enorme de buscas sem resultados.

O roubo vira notícia dos jornais, e no mundo.

Dia 26 de agosto de 1911, a imprensa ficou sabendo e virou matéria de 1° página em vários jornais, uma benção para muitos como; “Le Figaro”, “L’Humanité”, “Gaulois”, “La Revue des Deux-Mondes”, pois muitos exemplares serão vendidos e esgotados rapidamente.

O jornal Le Petit Parisien, de 23 de agosto de 1911 relatou o roubo em duas páginas, “Le Matin”, ofereceu 5.000 francos aos videntes, numerólogos, cartomantes ou qualquer outra ciência oculta que for necessária para se encontrar a famosa obra.

O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre
Espaço vazio onde estava a Mona Lisa, no Louvre.

A sociedade Amigos do Louvre ofereceu 25.000 francos para quem a achasse. Um milionário anônimo ofereceu o dobro. A revista ‘’L’Illustration” ofereceu 50.000 francos para aquele que levar o quadro até a editora.

Semanas depois o museu reabriu ao público, e uma multidão correu para ver o espaço vazio deixado pelo quadro.

Alguns deixam até flores diante do espaço vazio, como símbolo da perda de um ente querido, outros compraram recordações, e cartões postais, da Mona Lisa.

Os inocentes suspeitos

A busca se alongou até o mês de setembro, quando o juiz Joseph Marie Drioux mandou prender o escritor de origem polonesa, Guillaume Apollinaire (1880-1918) que havia declarado que gostaria de ‘’queimar o Louvre’’.

Gery-Pieret, amigo e antigo secretário particular de Appollinaire, ladrão confesso de três estatuetas ibéricas e máscaras fenícias do museu, declarou ao jornal “Paris-Journal”, que foi ele quem furtou a Mona Lisa, e que somente a devolveria em troca de 150.000 francos. E para reforçar que não estava mentindo enviou uma das três estatuetas roubadas para ao jornal.

O jovem Pablo Picasso (1881-1973), também foi interrogado e acusado de cumplicidade, pois havia comprado para estudos (influência do primitivismo), uma estatueta e uma máscara fenícia de Gery-Pieret.

O roubo também foi reivindicado pelo poeta escritor, dramaturgo italiano: Gabriele d’Annunzio (1863-1938), autor de uma peça teatral, em 1899, intitulada; “La Giocconda”.

Finalmente, todos são inocentados.

O substituto da Mona Lisa.

No “Salon Carré” do Louvre durante todo o tempo do desaparecimento do quadro de Leonardo da Vinci foi colocado no mesmo lugar o oquadro de Rafael,  «Portrait de Baldassare Castiglione, (1514-1515)” ou “Retrato de Baldassare Castiglione” , que faz lembrar a desaparecida.

O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre
“Retrato de Baldassare Castiglione, (1514-1515), de Rafael. Louvre.

Mas 28 meses depois quando tudo parecia perdido, ela foi encontrada em Florença, Itália. E o ladrão amador foi desmascarado.

O verdadeiro ladrão

O verdadeiro ladrão, Vincenzo Peruggia (1881-1925), italiano que na época trabalhava como colocador de vidros em obras de pintura, morava na rua de “L’hopital Saint-Louis”, a poucos metros do Louvre, e havia passado a noite do 21 de agosto escondido no museu esperando o amanhecer para roubá-la tranquilamente. Saiu discretamente pelo pátio Visconti, que dá acesso direto a rua.

Vincenzo Peruggia, o ladrão italiano.

A polícia chegou ir a casa dele para interrogá-lo, mas logo foi inocentado, pois provou com uma falsa testemunha dizendo que no dia do roubo estava trabalhando em outro local.

Durante estes 2 anos, ficou sozinho admirando desfrutando o charme e o olhar da Mona Lisa.

O tempo foi passando, e quando ninguém falava mais sobre o roubo e passando por sérias dificuldades financeiras decidiu voltar para Itália com a esperança de vender a obra para algum colecionador local.

Passando a fronteira foi morar em Florença em um hotel chamado na época “Trípoli”, (hoje chamado “La Giocande”).

A venda fracassada

Em 10 de setembro de 1913, Perrugia propôs a um celebre antiquário florentino, Alfredo Geri, a venda da Mona Lisa, por 500.000 liras, e a promessa que o quadro nunca voltasse para França. Geri, se fazendo interessado, levou um amigo, especialista em artes, Poggi, para analisar a obra. Imediatamente, os dois denunciaram Perrugia, a polícia.

No hotel, o ladrão foi detido e o quadro que se encontrava escondido embaixo da cama, protegida em uma caixa de madeira branca foi confiscado.

Quanto a GeriPoggi estão até hoje esperando em seus túmulos´, a recompensa prometida pelos franceses.

Julgamento e fim da aventura

Durante o julgamento, Perrugia confessou que roubou por patriotismo. Ignorando que o quadro havia sido adquirido, pelo rei Francisco I°, em 1519.

Perrugia tinha plena convicção que havia sido roubado por Napoleão Bonaparte I°e que era seu dever como cidadão italiano recuperar esse tesouro.

Foi condenado a 18 meses de prisão, mas alguns meses depois foi logo liberado. Uma parte da impressa e da população o considerava um herói da nação, para outros apenas um aproveitador que tentou fazer riqueza com um bem nacional.

Perrugia, ainda serviu o exército na 1° guerra mundial pelo Italianos. Voltando a morar na França após a guerra, na cidade de Annemasse, onde abriu uma loja de pintura vivendo em paz pelo o resto da sua vida.

O incrível roubo da Mona Lisa no Louvre
Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Museu do Louvre.

A Mona Lisa, voltou a ser exposta no Louvre, dia 4 de janeiro de 1914, tipo estrela de cinema, altamente protegida e visitada por milhares de pessoas, saindo somente em 1940 para ser escondida contra a ocupação alemã (ler artigo). Uma outra vez, em 1963, para uma exposição em Washington (USA), e a última em 1974, para uma exposição em Tóquio (Japão) e Moscou (Russia).

Mona Lisa na boa.

Depois, nunca mais saiu para lugar algum, e agora esta lá sentada esperando calmante a visita de vocês.

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7 Comentários


  1. Tom
    Voce tem o dom de suavizar qualquer tema com muita clareza e objetividade….
    Como sempre adorei .
    Muito obrigada

    Responder

  2. Tom que maravilha de texto.
    Voce tem o dom de suavizar qualquer tema com muita clareza e objetividade….
    Como sempre adorei .
    Muito obrigada

    Responder

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