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Ponte Alexandre III e suas incríveis esculturas. Considerada a mais linda de Paris e talvez do mundo é toda decorada com crianças sorridentes, estátuas de mulheres de pedra, candelabros de bronze, ninfas, cupidos, leões de pedra e quatro grandes esculturas em bronze dourados, ornadas por cavalos e mulheres/alegorias chamadas: Renommée (Fama).
Recebeu esse nome Ponte Alexandre III como um gesto diplomático do governo francês para celebrar a aliança franco-russa assinada em 1891, entre o imperador russo, Alexandre III (1881-1894) e o presidente da França, Sadi Carnot (1887-1894).

Pintura de I.N. Kramskoi (1837-1887).

Presidente da França de 1887 a 1894.
Sua construção teve início em 1896 com a colocação da 1° pedra, por três grandes personalidades: O filho de Alexandre III, o imperador da Rússia e Czar, Nicolas II (1894-1917), sua esposa a imperatriz, Alexandra Feodorovna (1894-1917) e o presidente da França, Félix Faure (1895-1899).



Foto: Wikipédia Commons.

Ilustração de Paul Merwart.
Inteiramente metálica, construída em três anos (1897 a 1900) pelos engenheiros Jean Rézal (1854-1919) e Amédée Alby (1862-1942) é um das primeiras obras pré-fabricadas do mundo a ser realizada numa usina fora de Paris, especificamente na cidade Creusot (Borgonha-Franco-Condado).
Foi inaugurada em 14 de abril de 1900, pelo presidente da França, Émile Loubet (1899-1906). Bem a tempo para abertura ao público da Exposição Universal, que ocorreu entre 15 de abril a 12 de novembro de 1900.

Obra integrante na exposição, como também o Grand Palais, Petit Palais e outras estruturas temporárias construídas no mesmo ano no Champs-de-Mars (Campo de Marte) próximo a Torre Eiffel.

A Ponte Alexandre III faz uma importante ligação entre a margem direita, (lado do Grand Palais, Petit Palais, Champs-Élysées, Praça da Concórdia…), com a margem esquerda, (lado da Esplanada dos Inválidos, Torre Eiffel…).




Uma ponte perfeitamente integrada na paisagem, com um único arco, baixa o suficiente para não obstruir a perspectiva da Esplanada dos Inválidos, para quem olha do lado da Avenida dos Champs- Élysées e vice-versa.
Com 40 m de largura e calçadas imponentes e 107 m de comprimento, a Ponte Alexandre III oferece um panorama esplêndido tanto sobre o rio Sena e para vários monumentos importantes de Paris.
A decoração exuberante foi dirigida pelo arquiteto Joseph Cassien-Bernard (1848-1926), Gaston Cousin (1870-1915) e o escultor decorador Abel Poulin (1847-1901) que convidaram artistas acadêmicos e não acadêmicos para trabalharem em todos os estatuários da ponte.
Georges Récipon (1860-1920), Emmanuel Frémiet (1824-1910), Jules Félix Coutan (1848-1939), Henri Désiré Gauquié (1858-1927), Grandzlin, Pierre Granet (1843-1910), Alfred Lenoir (1850-1920), Laurent Honoré Marqueste (1848-1920), André Paul Arthur Massoulle (1851-1901), Gustave Michel (1851-1924), Léopold Morice (1843-1920),Clément Steiner (1853-1899).
A Ponte Alexandre III está classificado monumento histórico desde 29 de abril de 1975. Tem como rótulo: “Patrimônio do Século XX“.
História da “Fama” e “Pégaso”:
Sobre cada um dos quatro pilares de 17 metros de altura da Ponte Alexandre III em Paris foram criados um conjunto de quatro estátuas alegóricas, em bronze dourado, executadas por diferentes artistas, mas todos respeitando um tema em comum: O cavalo alado (mitologia grega), Pégaso sendo retido pela Fama, (em Francês: RENOMMÉE), representada por uma mulher alada.
A Fama filha da mãe-terra Gaia, perdeu a aparência de monstro que tinha na Grécia para uma mulher alada pelos romanos. Representada segurando ou tocando um trompete com diferentes comprimentos, uma curta para anunciar inverdades e fofocas e uma longa para anunciar consagrações e vitórias.

Obra do escultor alemão, Robert Henze (1827-1906).
A Fama como seus anúncios pode transformar heróis em imortais e personificar o caráter, o reconhecimento público e a posição social de uma pessoa. Essa foi a representação mais utilizada pelos artistas entre o século XVI e século XIX.
Pégaso é um cavalo alado divino, uma das criaturas fantásticas mais famosas da mitologia grega. Geralmente branco, filho do deus supremo do mar Poseídon, Pégaso nasceu junto com seu irmão Crisaor, do sangue da Gordona Medusa, quando ela foi decapitada pelo herói Perseu.

Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro. Brasil.
De acordo com os poetas greco-romanos, Pégaso ascendeu ao céu após seu nascimento para servir a Zeus (ou Júpiter), que o encarregou de trazer raios, relâmpagos e trovões ao Olimpo, e a ajudar a outros deuses imortais. Domesticado por Atena (Minerva), foi montado pelo guerreiro Belerofonte para combater o monstro Quimera.
É o símbolo da criatividade do espírito, dos poetas e da imaginação.
Ponte Alexandre III e suas incríveis esculturas:
As “Famas” (1900) da Ponte Alexandre III:
1- “A Fama da Guerra”, e na sua base: “A França sobre Luís XIV”.
Na margem esquerda do rio Sena, encontra-se no alto de um dos pilares, a alegoria da “A Fama da Guerra“, grupo de esculturas em bronze dourado, de Léopold Steiner (1853-1899), finalizada por Eugène Gantzlin.

Base do pilar: Escultura de uma mulher em pedra, chamada “A França sobre Luís XIV“, de Laurent Marqueste (1848-1920), na qual segura com a mão esquerda a alegoria em bronze dourada da “Vitória” (Nike) alada.

2 – “A Fama do Combate“, e na sua base: “A França renascentista”.
Na margem esquerda do rio Sena, ao lado da “Fama do Guerra“, encontra-se no outro pilar, a alegoria da “Fama no Combate“, grupo de esculturas em bronze dourado, de Pierre Granet (1842-1910).
Base do pilar: Escultura de uma mulher em pedra, chamada “A França renascentista”, de Jules Coutan (1848-1939). na qual ela segura com a mão esquerda uma espada dourada e louros da vitória do combate.

3 – “A Fama das Artes”, e na sua base: “A França de Carlos Magno”.
Na margem direita do rio Sena, ao lado da “Fama das Artes”, encontra-se no outro pilar, a alegoria de esculturas em bronze dourado, de Emmanuel Frémiet (1824-1910).

Base do pilar: Escultura de uma mulher em pedra chamada “A França de Carlos Magno”, de Alfred Lenoir (1850-1920), na qual ela segura com a mão esquerda um Orbe (globo terrestre rematado com uma cruz, simboliza o domínio de Cristo (a cruz) sobre o mundo) e com a mão da direita uma espada do combatente e do defensor.

4 – “A Fama das Ciências”, e na sua base: “A França Moderna”.
Na margem direita do rio Sena, ao lado da alegoria da “Fama das Artes”, encontra-se no outro pilar a alegoria da “Fama das Ciências”, grupo de esculturas em bronze dourado, também de Emmanuel Frémiet (1824-1910).

Base do pilar: Escultura de uma mulher em pedra, chamada “França contemporânea”, de Gustave Frédéric Michel (1851-1824).

As “Ninfas” (1900) da Ponte Alexandre III.
Ninfa na mitologia grega é uma divindade do sexo feminino ligada a natureza. O nome pode significar: “jovem mulher em idade de casar” ou “jovem mulher virgem” ou “jovem mulher noiva”.

Para homenagear aliança franco-russa assinada em 1891, foram criadas um grupo de esculturas em cobre martelado, chamadas de “Ninfas do Sena” e “Ninfas do Neva“. São obras feitas por George Récipon (1860-1920), famoso escultor do século XIX, membro do Salão dos Artistas franceses em 188 e também participante nas Exposições Universais de 1889, 1890.
Além das ninfas, Récipon também também realizou um outro grupo de esculturas no alto do Grand Palais, instalados nos dois ângulos laterais da fachada principal, as famosas “Carruagens de Récipon” (“Les Quadriges de Récipon”) do estilo neobarroco.

De Georges Récipon. Grand Palais.

De Georges Récipon. Grand Palais.
Ninfas do Sena (1900).
No cento da Ponte Alexandre III, virada para o leste de Paris (lado Ilha de la Cité e Catedral de Notre-Dame), encontra-se a escultura em cobre martelado da “Ninfas do Sena” , de Georges Récipon.
São representadas por duas alegorias mulheres/ninfas coroadas com louros do triunfo e da vitória, segurando canudos que contém simbolicamente o tratado assinado em 1891, entre as duas nações, França e Rússia.
Entre elas se encontra o Brasão de Paris com o desenho de um barco a remos, símbolo da corporação dos “Nautes” ou dos comerciantes das águas, que tem como lema: “Fluctuat nec mergitur” (“É sacudida pelas ondas, mas não afunda“).
Informação extra: O rio Sena, nasce no departamento da Costa de Ouro, (“Côte-d’Or“), na região da Borgonha-Franco-Condado, (“Bourgogne-Franche-Comté“), no “Plateau de Langres“, próximo a cidade “Source-Seine”, a 446 metros acima do mar. Tem uma extensão de 766,6 Km e um curso de água entre o sudeste e noroeste, passando por Paris e várias outras importantes cidades para desaguar no canal da Mancha, (um braço do Oceano Atlântico).
Ninfas do Neva (1900).
No cento da Ponte Alexandre III, virada para oeste de Paris (lado Torre Eiffel), encontra-se a escultura em cobre martelado da “Ninfas do Neva“, de Georges Récipon.
São representadas por duas alegorias mulheres/ninfas , segurando canudos que contém simbolicamente o tratado assinado em 1891, entre as duas nações, França e Rússia.
Entre elas, o Brasão da Rússia representado pelas duas cabeças de águia herdadas do Império Bizantino e que simboliza a Igreja Ortodoxa cujo Santo Sínodo está localizado em Moscou. No centro, a águia segura um pequeno escudo de São Jorge, padroeiro dos eslavos.
O rio Neva, tem 74 km, percorre o noroeste da Rússia, atravessa São Petersburgo e deságua no lago Lagoda, no golfo da Finlândia. O Neva, depois dos rios: Voga e Danúbio, é o 3° maior em volume de água da Europa, apesar do modesto comprimento.
Os Leões de Pedra (1900).
Em cada margem do rio Sena, nas escadas que descem para o cais do rio Sena junto aos grandes pilares das Famas da Ponte Alexandre III, encontram-se quatro Leões de pedras esculpidos em 1900, por dois artistas diferentes:
- Margem Direita ou River Droite (RD) : Georges Gardet (1863-1939).
- Margem Esquerda ou River Gauche (RG) : Jules Dalou (1838-1902).
“Leão e a criança” (RD), próximo ao pilar da “Fama das Artes“.

“Leão e a criança” (RD), próximo ao pilar da “Fama das Ciências“.

“Leão e a criança” (RG), próximo ao pilar da “Fama da Guerra“.

“Leão e a criança” (RG), próximo ao pilar da “Fama do Combate“.

“Les Genies” (1900).
Em cada margem do rio Sena, no parapeito da Ponte Alexandre III, junto aos grandes pilares das Famas, encontram-se quatro grupos em cobre martelado representando “les Genies“, crianças aquáticas brincando com peixes ou conchas, esculpidos em 1900, por dois artistas diferentes:
- Margem Direita – River Droite (RD), tem duas esculturas de Léopold Morice (1846-1920).
- Margem Esquerda – River Gauche (RD), tem duas esculturas de André Paul Arthur Massoulle (1851-1901).
“Fillette à la Coquille” (RD), próximo ao pilar da “Fama das Artes“.

“Genie aux crabes“ (RD), próxima ao pilar da “Fama das Ciências“.

“Génie au trident“ (RG), próximo ao pilar da “Fama da Guerra“.

“Génie de l’eau“ (RG), próximo ao pilar da “Fama do Combate“.

Os 4 candelabros do Amor.
Próximo de cada grande pilar das “Famas” da Ponte Alexandre III encontra-se instalado sobre uma base de pedra, um candelabro (ou lampadário) com 4 galhos decorados por 4 lustres de vidro e 1 grande no topo sustentado por um grupo de 4 estátuas em bronze de querubins (crianças) chamadas de “Les Amours” ou “Ronde d’amours” (“Ciranda de Amores“).
Todas obras do escultor Henri Désiré Gauquié (1858-1927).
“Ronde d’amours” (RD), próxima ao pilar da “Fama da Artes“.

“Ronde d’amours” (RD), próxima ao pilar da “Fama das Ciências“.

“Ronde d’amours” (RG), próxima ao pilar da “Fama da Guerra“.

“Ronde d’amours” (RG), próxima ao pilar da “Fama do Combate“.

São lindos candelabros negros decorados por vários elementos marítimos (conchas, algas, peixes..) que transformaram a ponte em uma construção dos sonhos, local predileto dos fotógrafos para registros de casamentos, noivados, nascimentos… E também de fotógrafos amadores que imortalizam suas declarações de amor ao companheiro, companheira, ao amigo, familiares e a Paris.
Os 32 candelabros da Ponte Alexandre.
A Ponte Alexandre III é iluminada por 32 candelabros de bronze produzidos pela “Maison Lacarrière, Delatour et Cie“, a mesma empresa que fundiram e cinzelaram a maioria dos lampadários e candelabros da Ópera de Paris, incluindo o grande lustre do salão principal, projetado por Charles Garnier (1825-1898) e modelado por Corboz.

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Fontes:
- “Les ponts de Paris”, de Renée PLOUIN (Ed. Olivier Perrrin 1967).
- “Ponts de Paris à travers les siècles“, de Henry Louis DUBLY (Ed. Henri Veyrier 1973).
- “Le guide du promeneur 8è arrondissement”, de Philippe Sorel (Ed. Parigramme).
- “Paris le guide du patrimoine”, de Jean-Marie Pérouse de Montclos (Ed. Hachette).
- Sites: Wikipédia e Eutouring.
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Textos muito bons e ricos em detalhes que aumentam o prazer de leitura
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Sua descrição e detalhes são maravilhosos. Já passei por está ponte e achei a mais linda do mundo assim como acho Paris. Obrigado pelo seu trabalho.
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Conheço, mas não tão minuciosamente. Suas publicações são excelentes. Obrigada.
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Adorei saber toda a história
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Didático , e conduz nossos olhos para detalhes artísticos e Históricos. Adorei. Obrigada.
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Tom !! Super Interessante !
Aprendi mtas coisas e Genial ver os detalhes !
Super Parabéns , Boa Noite , Beth
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OI Beth! Obrigado! Estamos sempre lendo, vendo e aprendendo. Abraços!
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Texto maravilhoso!
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Parabéns pelo estudo e apresentação a gente se sente no local apreciando essas obras de arte. E passeando por esses caminhos. Muito legal.
Abraços
Denise
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Um show de comentários. Parabéns por compartilhar seu conhecimento e cultura.