Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier

Tempo de leitura: 7 minutos

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier: Sobre a presidência de Charles de Gaulle (1959 – 1969), o Ministro da Cultura, André- Malraux tomou uma decisão audaciosa de renovar a Ópera Garnier. Para muitos uma decisão errada, pois temiam os puristas a destruição de todo um patrimônio nacional, símbolo monumental de Paris, construído durante o regime imperial de Napoleão III.

O motivo da reforma além da promoção politica dos ministros da época, Malraux e Georges Pompidou (futuro presidente da França) foi para dar um novo poder de atração para Paris, ou melhor, mais “Glamour” para cidade, que havia sido perdido durante a ocupação alemã, na 2° guerra mundial.

Para concepção do novo teto foi contratado em 1963, Marc Chagall (1887 – 1985) russo-judeu-francês, pintor, vitralista, ceramista, gravador, uns dos mais influentes artistas do século XX, que apesar não seguidor de nenhuma escola artística da época foi influenciado pelos vanguardistas modernos apresentando em suas obras características surrealistas, expressionistas, fauvistas, cubistas ou primitivistas, sempre criados por sua própria inspiração.

Para realização da obra, Chagall teve que resolver um verdadeiro problema técnico que foi a substituição do antigo painel pintado, por Jules-Eugene Lenepve, (em 1872), que estava em péssimo estado de conservação devido aos anos de iluminação a gás da sala.

“Les Muses et les Heures du jour et de la nuit (1872)”.

“Les Muses et les Heures du jour et de la nuit (1872)”, de Lenepve. Museu d’Orsay.

Desenho definitivo usado no teto da Ópera Garnier exposto no Museu d’Orsay, em Paris.

Chagall teve que dividir a aérea central do teto (240 m²) fazendo em 24 geométricos painéis triangulares em plástico, e depois revesti-los com uma tela de pintura.

Como uma maquete com o desenho final  já havia sido preparada anteriormente, cada um desse painéis triangulares foram pintados em vários dos seus ateliês: Paris (museu “des Gobelins”), Meudon e Vence (onde faleceu aos 97 anos).

Depois de pronto foram fixados, lado a lado, no teto da Ópera Garnier, por cima da obra original de Lenepveu. Onde continua escondido até hoje.

Em 23 de setembro de 1964, o teto foi apresentado a um grande público que lotou a sala, um espetáculo de dança orquestrado com a “Sinfonia n° 41 de Mozart”, ou “Júpiter”, (compositor preferido de Chagall). Nas últimas notas, todas as luzes do grande lustre de bronze e de cristal (projeto de Garnier) se acenderem iluminando o teto de forma espetacular e inesquecível para quem estava presente.

A intervenção de Chagall foi considerada para muitos, uma ruptura com a arquitetura eclética de Garnier, mas ao mesmo tempo, a beleza do conjunto da obra deu continuidade para harmonia da sala, onde tudo ficou mais vibrante e intenso com seus desenhos coloridos no teto. Cores em estado puro, onde o real e o imaginário se encontram juntos, e sem limites.

Composição dos 14 temas no teto da Ópera Garnier:

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
Composição dos temas no teto de Chagall, na Ópera Garnier.

Marc Chagall faz uma homenagem pessoal a 14 compositores com suas famosas óperas e balé. Os dois painéis circulares de plástico revestido com tela para pintura foram divididos em um painel principal externo, com 10 temas, e um painel central, menor, com 4 temas.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier na ordem anti-horário, do círculo exterior para o círculo interior, veja abaixo:

Painel principal (ou círculo externo):

1 – “Boris Godounov”, de Petrovitch Moussorgski.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Boris Godounov”, de Petrovitch Moussorgski.

Cor dominante: Azul.

Em baixo podemos ver um Czar no trono, e um pouco acima a cidade de Moscou. Acima a esquerda, a alegoria da fama com uma cabeça de monstro (divindade grega alada) tocando flauta.

2 – “A Flauta encantada, de Mozart.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“A Flauta encantada”, de Mozart.

Cores dominantes: Azul claro.

Um grande anjo voa sobre a cena e um pássaro (ou um galo) toca flauta, referência ao herói, Tamino, homem pássaro que recebe este instrumento.

3 – “Tristão e Isolda“, de Wagner.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Tristão e Isolda”, de Wagner.

Cor dominante: Verde.

Um casal abraçado, e um pouco acima a direita, o Arco do Triunfo, (iluminado em vermelho, cor da paixão), e ao fundo a esquerda, a praça da Concórdia.

4 – Romeo e Julieta”, de Berlioz.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Romeo e Julieta”, de Berlioz.

Cor dominante: Verde.

Casal abraçado ao lado de um cavalo.

5 – “Uma Ópera”, de Rameau.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Uma Ópera”, de Rameau.

Cor dominante: Branco.

Fachada da Ópera Garnier iluminada em vermelho da paixão, e a escultura em proporção monumental ” A Dança”, de Carpeaux.

6 – “Pelléas et Mélisande”, de Debussy.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Pelléas et Mélisande”, de Debussy.

Cor dominante: Azul

Pelléas observa Mélisande da janela. Acima deles, a cabeça de um rei (Arkel ?).

7 – “Daphnis e Chloé”, de Ravel.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Daphnis e Chloé”, de Ravel.

Cor dominante: Vermelho.

Torre Eiffel, (tema muito representado em suas obras), e um templo em azul.

8 – “O Pássaro de Fogo”, de Stravinsky.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“O Pássaro de Fogo”, de Stravinsky.

Cores dominantes: Vermelho, verde e azul.

Na parte superior, a esquerda um homem (Chagall?) segura uma palheta de tintas acima de um pássaro esverdeado. Mais abaixo, domos e telhados do Castelo Mágico. Um pássaro vermelho, se aproxima de um casal coroados, e protegidos por um “dais” (tenda), também vermelho. Ao lado deles, um casal recém-casado, uma camponesa segurando uma cesta de frutas, e a esquerda (lado da torre Eiffel), uma orquestra tocando música. A direita um violonista abraçado no seu instrumento.

9 – “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky.

Cor dominante: Amarelo ouro.

Uma mulher cisne, em um lago azul, segura um buquê de flores. Acima um anjo músico, cuja a cabeça e o corpo, tem a forma de um violoncelo.

10 – “Giselle”, de Adolphe Adam.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Giselle”, de Adolphe Adam.

Cor dominante: Amarelo ouro.

A dança das camponesas junto as árvores da cidade, 1° ato.

Painel Central (ou círculo interno):

11- “Carmen”, de Bizet.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Carmen”, de Bizet.

Cor dominante: Vermelho.

Carmen na arena, em companhia de um touro tocando violão.

12 – “La Traviata (?)”, de Verdi.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“La Traviata (?)”, de Verdi.

Cor dominante: Amarelo.

Próximo a um jovem casal, um homem barbado segura um rolo desenrolado.

13 – “Fidélio”, de Beethoven.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Fidélio”, de Beethoven.

Cores dominantes: Azul e verde.

O Impulso de Leonora em direção ao cavaleiro azul que levanta sua espada.

14 – “Orfeu e Eurídice”, de Gluck.

Detalhes do teto de Chagall na Ópera Garnier
“Orfeu e Eurídice”, de Gluck.

Cor dominante: Verde.

Eurídice toca lira (Instrumento de Orfeu), e o anjo lhe oferece um buquê de flores.

Conclusão

A arte de Marc Chagall estava muito relacionada com música, um elemento fundamental em sua vida, que o ajudava a pintar de forma envolvente, com espírito alegre, pleno de amor e poesia.  Não dramatizava temas, pois para ele tudo era místico, lírico, de pura compaixão e felicidade.

Hoje, quem for fazer uma visita da Ópera Garnier verá indiscutivelmente um dos mais belos templos da dança e da música do mundo

Imperdível !

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Nota: O vídeo postado acima foi feito por um drone, trecho do documentário realizado em 2014, por Laurence Thiriat, para TV Arte, onde conta a história do projeto do teto de Chagall, controvérsias e polêmicas na época, detalhes da instalação, e um pouco do universo iluminado, imaginário, e colorido da vida de Marc Chagall para o templo da música e a da dança, na Ópera Garnier, em Paris.

Fotos: © Adagp, Paris 2014 Chagall ®

4 Comentários


  1. Mais num artigo sensacional do Tom…. Uma esclarecedora aula de história. Ansioso para voltar na Ópera e observar com mais atenção , cada detalhe destacado. Parabéns!!

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  2. Chego a nao ter palavras para descrever o respeito que tenho por Tom Pavesi……..sem duvida e um grande conhecedor de artes , de historia e de Paris.
    Leio seus artigos sem parar. Adoro .
    Espero que continue nos presenteando com essas reliquias que nos traz sempre …..
    Boa sorte Tom …… sempre
    Neusa Marques

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    1. Nossa Neusa! Não sabia que tinha uma fã tão fiel e seguidora. Obrigado pelo carinho em suas palavras, e pode deixar que vou continuar escrevendo bastante histórias sobre Paris e a França, viu ?

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